Enquanto os líderes da Otan se dirigem para a sua cúpula em Ancara, levando a atenção dos jornalistas com eles, uma estranha farsa decorre aqui. Estamos na maior prisão da Europa, rodeada por quartéis e tribunais. Entre os muitos presos políticos, o mais famoso é o prefeito democraticamente eleito de Istambul, Ekrem Imamoglu, que hoje se apresenta a um tribunal para se defender de três casos sucessivamente.
Muitas centenas de pessoas tentam entrar para assistir ao julgamento. A polícia de choque está posicionada para qualquer eventualidade. Entre as poucas dezenas que conseguem entrar estamos nós, parte de uma delegação de observadores internacionais que inclui o relator do Parlamento Europeu para a Turquia, Nacho Sánchez Amor, o ex-prefeito de Reykjavik e deputado social-democrata islandês Dagur Eggertsson, e eu, que estou em representação do Partido Verde Europeu.
Lá dentro encontramos a família de Imamoglu, seus aliados políticos, e representantes diplomáticos de vários países. Os corredores são estreitos para tanta gente; somos empurrados enquanto tentamos acessar uma sala onde irá decorrer um julgamento por "espionagem" do qual, por "segredos de Estado", não se sabe praticamente nada, nem qual seria a dita espionagem, nem a favor de que país. Outro julgamento, supostamente por corrupção, fica para depois.













