Decisão revogou as prisões dos sete detidos na Operação Exchange, da Polícia Federal. Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira está entre os beneficiados pela soltura; ao mesmo tempo, a Justiça decretou a prisão preventiva de três investigados que não foram localizados, entre eles Victor Shimada. A Justiça Federal mandou soltar nesta terça-feira (7) sete detidos na Operação Exchange, que investiga esquema de lavagem de dinheiro para o PCC. Entre os beneficiados pela soltura está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, alvo de sanções dos Estados Unidos por suposta ligação com a facção. A decisão também decretou a prisão preventiva de três investigados foragidos, incluindo o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada. A Operação Exchange cumpriu mandados de busca e determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados no total de R$ 10,4 bilhões. Operação da PF prende secretária alvo de sanção dos EUA por suspeita de elo com PCC e mais 6 pessoas A Justiça Federal mandou soltar, nesta terça-feira (7), Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, alvo de sanções dos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e uma das presas na Operação Exchange, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro para traficantes da facção. A decisão da 7ª Vara Criminal Federal revogou as prisões dos sete detidos na operação. Ao mesmo tempo, a Justiça decretou a prisão preventiva de três investigados que não haviam sido localizados: Victor Henrique de Oliveira Shimada, Amauri Henrique de Oliveira e Ygor Fokin Saviolli. Em nota, a defesa de Stella informou que a decisão deve ser cumprida ainda hoje e disse que "em respeito ao segredo de justiça que recai sobre a investigação, não comentará o conteúdo da decisão nem os elementos constantes dos autos." (leia mais abaixo). Apartamento da ex-esposa de Victor Henrique de Oliveira Shimada foi alvo de mandado de busca e apreensão em Santos (SP) — Foto: Diego Bertozzi/TV Tribuna e Reprodução/Globonews Amauri Henrique de Oliveira, pai de Stella e tio de Shimada, é apontado como responsável pelo apoio logístico do esquema, incluindo transporte e recolhimento de dinheiro em espécie. Segundo os investigadores, Stella é prima de Victor Shimada e atuou como a secretária dele. Na ação, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em endereços da capital paulista, de Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Também houve determinação de sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados. O que a investigação apura De acordo com a Polícia Federal, os investigados usavam um sistema estruturado para movimentar recursos ilícitos, incluindo: transferências de criptoativos;transporte de valores, inclusive em espécie;operações bancárias de alto valor;repasses entre pessoas físicas e jurídicas;outras atividades financeiras voltadas à ocultação da origem do dinheiro. A suspeita é de que a estrutura tenha sido usada para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas. Em tese, os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Sanções dos EUA Os EUA afirmam que Shimada teria ajudado a lavar mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos, usando criptomoedas para transferir valores de volta ao Brasil em nome da facção. Além dele, também foi sancionada Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada pelas autoridades americanas como colaboradora de Shimada e responsável por apoio logístico à coleta de grandes quantias em dinheiro. As sanções impostas pelos Estados Unidos preveem o bloqueio de bens em território americano e atingem também empresas controladas, direta ou indiretamente, pelos alvos. 'Doleiro moderno' "São mais de 70 empresas investigadas neste caso. Essas empresas são usadas por ele para lavar dinheiro ou que lavaram dinheiro com ele", diz um dos agentes que participam da investigação. 🔎 Os doleiros são operadores do mercado clandestino de câmbio e usam um sistema bancário ilegal para lavar dinheiro do crime organizado. O objetivo da Operação Exchange é desarticular uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Todos os presos serão levados para a sede da PF em São Paulo. PF apreende dinheiro em operação que mira brasileiros sancionados pelos EUA Outros 13 mandados de busca também foram expedidos, em endereços localizados na capital paulista, em Santos, em Praia Grande e em Santana de Parnaíba. Também foi determinado judicialmente o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante total de R$ 10,4 bilhões. Segundo a PF, os investigados utilizavam um sistema estruturado para a movimentação de recursos, por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores, inclusive em espécie, operações bancárias de alto valor, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras atividades financeiras. Os envolvidos poderão, em tese, ser responsabilizados pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em nota, a defesa de Victor Shimada informou que "tomou conhecimento, há instantes, da operação realizada pela Polícia Federal. Neste momento, entretanto, ainda não dispomos de acesso às decisões judiciais nem aos elementos que fundamentaram as medidas adotadas". "Nesse contexto, qualquer manifestação sobre os fatos ou sobre o objeto da investigação seria precipitada. Tão logo tenha acesso aos autos e às informações oficiais, a defesa realizará a análise técnica do caso e adotará as medidas jurídicas que entender cabíveis." Quem são os brasileiros alvos de sanções? Victor Henrique de Oliveira Shimada Victor Shimada, sócio da Victory Trading Intermediacão De Negocios Cobrancas E Tecnologia Ltda, sancionado pelo governo dos EUA em 1º de julho de 2026. — Foto: Reprodução/GloboNews Shimada é sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda. Ele também é sócio da Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, com sede em Portugal, empresa igualmente sancionada pelos EUA nesta quarta-feira. O empresário foi classificado pelos EUA como "elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais". O governo Trump o acusa de: lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos gerados em várias cidades dos EUA, utilizando criptomoedas para transferir valores de volta ao Brasil em nome do PCC;envolver-se em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro do tráfico. Ao informarem a sanção, os EUA citaram que a Victory Trading, da qual Shimada é sócio, foi utilizada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro, porém não mencionaram o nome do time alvinegro no comunicado. Segundo relatório da Polícia Civil de São Paulo, Victor Henrique de Oliveira Shimada aparece em uma cadeia financeira que conecta sua empresa à Wave Intermediações e à UJ Football Talent. A UJ foi citada na delação premiada de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach como empresa supostamente relacionada a Danilo Lima de Oliveira, conhecido como "Tripa", apontado pelo delator como integrante do PCC. O relatório ressalta ainda que o próprio Gritzbach surgiu em análises financeiras associadas à Wave, empresa que mantinha intensa movimentação com a Victory Trading. A investigação, porém, não afirma que Victor Shimada seja integrante do PCC, mas sustenta que ele estaria inserido em um fluxo financeiro que se cruza com pessoas e empresas citadas em apurações sobre a facção criminosa. Além dessa investigação, ele responde a outros quatro processos sem ligação direta com organização criminosa: ameaçaviolência doméstica e familiarinjúria cometida ofendendo a dignidade ou o decoro lesão corporal dolosa Em nota, o advogado de defesa de Shimada, Yuri Cruz, disse que tomou conhecimento, nesta quarta-feira (1º), das notícias acerca das sanções anunciadas. "Até o presente momento, não tivemos acesso aos documentos oficiais e aos elementos que fundamentaram a medida, o que impede qualquer manifestação específica sobre seu conteúdo. Não obstante, Victor Shimada nega veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa ou com a prática de lavagem de dinheiro". E complementou: "A situação será analisada com a cautela e a profundidade que o caso exige, após o efetivo acesso aos documentos que embasaram a medida e em conjunto com os profissionais que atuarão perante as autoridades competentes. Por ora, qualquer conclusão seria precipitada. A defesa reafirma sua absoluta confiança de que os fatos serão devidamente esclarecidos pelos meios legais adequados". Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira Já Stella, segundo os EUA, é parente de Shimada e atuou como a secretária dele. O governo norte-americano também afirma que ela atuou como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, fornecendo serviços logísticos essenciais para as operações de lavagem da rede. Ela não tem antecedentes criminais nem responde a processos. Investigação do caso VaideBet De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público e aceita pela Justiça, a Victory Trading manteve intensa movimentação financeira com a empresa Wave Intermediações e Tecnologias Ltda., apontada pelos investigadores como uma das empresas utilizadas para movimentar valores provenientes do esquema investigado. A apuração identificou uma cadeia financeira que inclui empresas pelas quais os recursos teriam passado após deixarem a conta do Corinthians. Segundo os autos, parte do fluxo analisado seguiu o caminho: Corinthians → Rede Social Media Design → Neoway → Wave → UJ Football Talent Em paralelo, investigadores apontaram transferências da Victory Trading para a UJ Football Talent, empresa citada em outras apurações policiais. A denúncia sustenta que Shimada teria atuado como operador financeiro de uma empresa utilizada, ao menos parcialmente, para ocultar e dissimular a origem de recursos. Ele foi denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro. Em janeiro de 2025, Shimada ficou brevemente em prisão domiciliar no Brasil em um processo com a Votorantim. Em nota, o BV (antigo Banco Votorantim) informou que, "em agosto de 2024, identificou movimentações irregulares no âmbito de seus serviços de Banking as a Service (BaaS). O banco adotou imediatamente as medidas cabíveis, comunicando os fatos às autoridades competentes e colaborando ativamente com as investigações que culminaram com a condenação de um dos sancionados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos conforme lista divulgada hoje." "Vale destacar que, na colaboração com as autoridades competentes, o BV atuou como assistente de acusação na ação penal”, conclui a nota. As sanções Segundo os EUA, Victor e Stella e as três empresas citadas integrariam uma rede internacional de lavagem de dinheiro do PCC, que tem sido investigada na Flórida. Outros seis acusados de integrar essa rede de lavagem de dinheiro foram presos em janeiro deste ano no estado norte-americano, segundo o comunicado. As sanções foram formalizadas pelo Departamento do Tesouro norte-americano. Esta é a primeira rodada de sanções econômicas divulgadas pelo governo Trump contra alvos que acredita ter relação com a facção brasileira após ter classificado o PCC e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas internacionais, em junho. 👉 A determinação abre espaço para ações mais duras e unilaterais dos Estados Unidos, como sanção de cidadãos e empresas brasileiras e, em último caso, intervenção direta no território nacional. EUA sancionam duas pessoas e três empresas brasileiras por suposta ligação com o PCC em 1º de julho de 2026. — Foto: Reprodução/Departamento do Tesouro dos EUA O subsecretário norte-americano para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, afirmou no comunicado que o governo Trump está enfrentando a "crescente presença da geração de receitas ilícitas do Primeiro Comando da Capital dentro dos EUA". LEIA TAMBÉM: O que diz a defesa de Stella "A defesa de Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, constituída pelos advogados Robson Cyrillo, Filipe Cheles, Henrique Cavalheiro e Gabriel Constantino, informam que, na presente data, o Juízo decidiu pela não conversão da prisão temporária em prisão preventiva, razão pela qual foi determinada sua imediata soltura, devendo a decisão ser cumprida ainda hoje. Em respeito ao segredo de justiça que recai sobre a investigação, a defesa não comentará o conteúdo da decisão nem os elementos constantes dos autos. A defesa recebe a decisão com respeito e serenidade, por entender que ela observa rigorosamente os pressupostos legais das medidas cautelares e reafirma sua confiança de que a inocência de Stella será plenamente demonstrada no decorrer da investigação." Estados Unidos
Justiça manda soltar mulher alvo de sanção dos EUA por suspeita de ligação com o PCC e outros seis | G1
Decisão revogou as prisões dos sete detidos na Operação Exchange, da Polícia Federal. Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira está entre os beneficiados pela soltura; ao mesmo tempo, a Justiça decretou a prisão preventiva de três investigados que não foram localizados, entre eles Victor Shimada.











