Apesar de não mencionar nome de investigado, Andrei Rodrigues faz referência a Victor Shimada, alvo de mandado de prisão e sancionado pelos EUA por suposto envolvimento com o PCC Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Rodrigues: 'Houve um prejuízo à investigação' — Foto: Andressa Anholete/Andressa Anholete/Agência Senad O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a divulgação da sanção dos Estados Unidos contra dois brasileiros por suposta ligação com o PCC prejudicou a Operação Exchange, deflagrada, nesta sexta-feira (3), pela corporação contra um grupo suspeito de lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas e que tem entre os alvos justamente os dois nomes sancionados pelo governo americano. "Não posso entrar em detalhes operacionais, em razão do sigilo da investigação, mas, de fato, se não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro e a gente teria localizado essa pessoa, mas, infelizmente, não foi localizado, então houve um prejuízo à investigação", afirmou Andrei, em café da manhã com jornalistas. Apesar de não mencionar nenhum nome de investigado, o diretor fez referência a Victor Shimada, alvo de um mandado de prisão nesta sexta-feira e que não foi localizado pela PF. O nome dele foi divulgado esta semana pelo governo americano como um dos sancionados por suposto envolvimento com o PCC. A secretária de Shimada, Stella Oliveira, também sancionada pelos EUA, foi alvo de mandado de prisão hoje e detida pela PF. O Valor ainda apurou com fontes ligadas à investigação que o governo americano sabia que a PF estava investigando os alvos e que iria deflagrar uma operação contra eles quando divulgou os nomes sancionados. Questionado sobre se a sanção do governo americano atrapalhava ou prejudicava as investigações da PF, o diretor-geral disse que isso não muda em nada o método de trabalho da corporação, mas afirmou que a cooperação com os Estados Unidos poderia ser mais efetiva se houvesse uma colaboração maior em ações de combate a outros crimes além do tráfico de drogas. “O que nós queremos, de fato, é que os Estados Unidos colaborem efetivamente nas operações, como nós temos uma colaboração histórica, especialmante na área de combate ao tráfico de drogas, mas que isso também avance para a questão de lavagem de dinheiro, de bloqueio de bens, para a repatriação de foragidos. Enfim, para todas as outras ações, que acho que muito mais que designar facção como grupo terrorista, se houver essa efetiva cooperação, nós teremos melhores resultados”, afirmou o diretor-geral. Além de Andrei Rodrigues, também estava presente no café da manhã o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF, Dennis Cali, que explicou que a operação da PF já havia sido solicitada e autorizada pela Justiça Federal antes mesmo de o governo americano classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terrorista. De acordo com Cali, os alvos sancionados pelos Estados Unidos são investigados no Brasil e lá. No caso de Shimada, ele teria movimentado valores nos Estados Unidos mesmo morando aqui no Brasil e está sendo investigado pelo governo americano devido aos recursos que movimentou lá. “Tem uma investigação nos Estados Unidos que já estava em curso, assim como essa nossa investigação; também em razão dessa publicação (do governo americano), tivemos que adiantar e deflagrar a operação hoje. Então, tivemos algumas questões operacionais de identificação dos alvos, algumas confirmações que estavam ainda em curso sendo realizadas, mas, com a divulgação na imprensa (da sanção do governo americano), a gente adiantou e deflagrou a operação”, explicou Dennis Cali. Os nomes dos dois brasileiros sancionados foram divulgados pelo governo americano nesta semana em um site oficial do Departamento de Estado, órgão que seria o equivalente ao Ministério da Justiça no Brasil. No Brasil, Shimada já foi alvo de outra investigação da PF e chegou a ser condenado pela Justiça Federal em 2025, segundo afirmou Rodrigues. O diretor-geral da PF, porém, indicou que o empresário não teria ligação com o PCC. "Esse caso concreto não guarda relação com essa atribuição de facção ou de sanção que foi feita ao sujeito", afirmou o diretor-geral. Ele não comentou sobre a situação de Stella. Com as sanções, os bens nos Estados Unidos dos alvos são bloqueados e qualquer empresa que pertença – direta ou indiretamente, em 50% ou mais – às pessoas punidas também será bloqueada. O empresário foi classificado pelos EUA como "elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais". O governo Trump o acusa de lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos gerados em várias cidades dos EUA, utilizando criptomoedas para transferir valores de volta ao Brasil em nome do PCC; e de envolver-se em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro do tráfico. No Brasil, Shimada é investigado por suspeita de participação em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao caso VaideBet, que apura desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. Já Stella, segundo os EUA, é parente de Shimada e atuou como secretária dele. O governo dos EUA também afirma que ela atuou como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, fornecendo serviços logísticos essenciais para as operações de lavagem da rede. A PF informou que as apurações indicaram que os investigados utilizavam um sistema estruturado para a movimentação de recursos, por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores, inclusive em espécie, operações bancárias de alto valor, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras atividades financeiras. A análise preliminar permitiu identificar movimentações superiores a R$ 10 bilhões. Além dos 11 mandados de prisão temporária, os mais de 50 policiais federais envolvidos na ação também cumprem 13 mandados de busca e apreensão em endereços localizados nas cidades de São Paulo, Santos (SP), Praia Grande (SP) e Santana de Parnaíba (SP). Também foi determinado judicialmente o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante total de R$ 10,4 bilhões.
PF diz que sanção dos EUA prejudicou operação contra suspeitos de atuar junto ao crime organizado
Apesar de não mencionar nome de investigado, Andrei Rodrigues faz referência a Victor Shimada, alvo de mandado de prisão e sancionado pelos EUA por suposto envolvimento com o PCC











