Segundo Andrei, o desfecho da operação desta sexta-feira poderia ter sido outro, caso a imposição da sanção pelos Estados Unidos não tivesse sido anunciada na quarta-feira. "[A sanção dos EUA] alterou a nossa ação. Houve uma antecipação. Mas, de fato, não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro, a gente teria localizado essa pessoa [Shimada], mas infelizmente não localizamos. Então, houve prejuízo à investigação", afirmou Andrei em um café com jornalistas na sede da PF em Brasília. Shimada recebeu a punição dos EUA acusado de ligação com o PCC. Com a medida, os bens do empresário no país norte-americano ficam bloqueados, entre outras medidas. No comunicado, os EUA chamaram o empresário de "elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais" e o acusaram de: lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos gerados em várias cidades dos EUA, utilizando criptomoedas para transferir valores de volta ao Brasil em nome do PCC;envolver-se em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro do tráfico. As autoridades norte-americanas afirmaram que Stella Stefanie é parente de Shimada e atuou como a secretária dele e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, fornecendo serviços logísticos essenciais para as operações de lavagem da rede. Operação Exchange Operação da PF prende secretária alvo de sanção dos EUA por suspeita de elo com PCC e mais 6 pessoas A PF fez nesta sexta uma operação para desarticular uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Ao todo, são 11 mandados de prisão temporária, e sete foram cumpridos até a última atualização desta reportagem. Outros 13 mandados de busca também foram expedidos, em endereços localizados na capital paulista, em Santos, em Praia Grande e em Santana de Parnaíba. Também foi determinado judicialmente o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante total de R$ 10,4 bilhões. Segundo a PF, os investigados utilizavam um sistema estruturado para a movimentação de recursos, por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores, inclusive em espécie, operações bancárias de alto valor, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras atividades financeiras. Os envolvidos poderão, em tese, ser responsabilizados pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em nota, Yuri Cruz, do escritório Marcelo Cruz Advocacia Criminal, que faz a defesa de Victor Shimada, informou que "tomou conhecimento, há instantes, da operação realizada pela Polícia Federal. Neste momento, entretanto, ainda não dispomos de acesso às decisões judiciais nem aos elementos que fundamentaram as medidas adotadas". "Nesse contexto, qualquer manifestação sobre os fatos ou sobre o objeto da investigação seria precipitada. Tão logo tenha acesso aos autos e às informações oficiais, a defesa realizará a análise técnica do caso e adotará as medidas jurídicas que entender cabíveis", diz o comunicado. Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, Cruz disse ainda que Shimada é um dos alvos de prisão temporária e deve analisar a possibilidade de se entregar à polícia. “Isso passa também por uma decisão pessoal, mas é mais uma das hipóteses a serem avaliadas." Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF — Foto: Reprodução/Globo
PF: Sanção dos EUA atrapalhou prisão de suspeito de elo com o PCC | G1
A PF antecipou a Operação Exchange após sanções dos EUA, o que, segundo o diretor do órgão, dificultou a prisão de Victor Shimada, suspeito de lavar dinheiro para o PCC na Flórida.












