Para a Abimaq, a taxação também afetaria empresas brasileiras que estão investindo em território americano e americanas que investem no Brasil Superávit comercial é de US$ 1,2 bi a favor dos EUA na balança comercial de máquinas e equipamentos — Foto: Rogério Vieiora / Valor A Abimaq, que representa fabricantes de máquinas e equipamentos brasileiros, disse que um dos argumentos levados à audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre tarifas contra produtos brasileiros, nesta nesta terça-feira (7), é a possibilidade de o Brasil acabar substituído na balança comercial americana pela China, país do qual os EUA tentam diminuir a dependência em diferentes segmentos. A agenda com os americanos reuniu desde segunda-feira (6) representantes de diferentes setores econômicos nacionais. “Trouxemos esse argumento de que taxar o Brasil para máquinas e equipamentos possibilitaria que o país fosse deslocado e que quem pode ocupar é a China. Outros setores também trouxeram esse argumento. Para alguns, apenas a China pode substituir, mas em outros, Índia e Coreia do Sul, por exemplo, também poderiam”, disse, ao Valor, Patrícia Gomes, diretora executiva de mercado externo da entidade, que esteve na audiência. Ela afirmou que a percepção foi a de uma audiência mais técnica do que discussões anteriores com o governo americano. “As perguntas estavam mais técnicas e detalhadas. Os representantes do governo americano pareciam mais seniores e experientes dentro dessa discussão, fazendo perguntas de alguém que entende o assunto”, afirmou. Segundo ela, questionamentos levantados na audiência incluíram pontos como se havia produção doméstica nos EUA do material exportado pela indústria brasileira e se era suficiente para atender à demanda americana. “Mas falamos da dificuldade de se substituir esse tipo de fornecimento de máquinas que fazemos, já que se trata de produtos customizados feitos sob demanda e que atendem certificações extremamente rigorosas que são difíceis de serem obtidas”, afirmou Gomes, argumentando que substituir o fornecimento brasileiro poderia levar tempo. Segundo a entidade, 82% das exportações do setor brasileiro de máquinas e equipamentos em 2024 ocorreram entre empresas do mesmo grupo econômico, ou seja, que têm sede no Brasil e subsidiária nos EUA, ou vice-versa. Para a Abimaq, a taxação afetaria brasileiras que estão investindo em território americano e americanas investindo no Brasil. “Esse tipo de comércio complementa a produção americana”, afirmou. O superávit comercial de US$ 1,2 bilhão a favor dos EUA na balança comercial de máquinas e equipamentos do Brasil também foi mencionado, disse Gomes. “Não dá pra ser otimista ainda com a audiência ou com o resultado, que temos a expectativa de que seja concluído no dia 15, porque a decisão final é do presidente Trump. O USTR recomenda, mas a decisão é dele”, completou.