Entidade projeta queda de 3,6% na receita no mercado doméstico neste ano, ante estimativa anterior de retração de 2,7% A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) revisou para baixo suas projeções para 2026 e informou que participará de audiências em Washington, nos EUA, nos dias 6 e 7 de julho para defender a exclusão do Brasil das sobretaxas previstas na Seção 301. A entidade passou a projetar queda de 3,6% em receita no mercado doméstico neste ano, ante estimativa anterior de retração de 2,7%. Ao mesmo tempo, elevou a previsão de crescimento das exportações de 2,3% para 6,4% e revisou a expectativa para a receita líquida total do setor, de queda de 2,7% para retração de 3,2%. Durante entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (30), Cristina Zanella, diretora de competitividade, economia e estatística da Abimaq, afirmou que o crescimento nominal de 5,1% da receita em maio frente a abril reflete um movimento sazonal e não uma retomada da atividade. Segundo a executiva, após o ajuste sazonal, a receita apresentou queda. Leia mais: “Quando a gente faz a sazonalização do número, ele fica em queda de 1,2%. Então, na verdade, olhando para a receita e fazendo esse ajuste sazonal, houve um declínio”, explicou Zanella. A diretora também disse que, na comparação anual, a receita ficou cerca de 20% abaixo do nível observado em maio de 2025. De acordo com ela, a redução da carteira de pedidos para 8,2 semanas, 10,6% inferior à registrada um ano antes, indica que esse cenário deve se manter nos próximos meses. Ao detalhar a atuação da entidade nos Estados Unidos, Patrícia Gomes, diretora executiva de mercado externo da Abimaq, disse que a preocupação é que a combinação das sobretaxas previstas na Seção 301 com outras tarifas já existentes reduza a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano. “Podemos ter um grupo de produtos que a Abimaq representa com uma tarifa da ordem de 37,5%, o que acaba equiparando à tarifa da China”, disse Gomes. Segundo a executiva, a entidade pretende destacar nas audiências que boa parte do comércio entre Brasil e Estados Unidos no setor ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico e que o Brasil registra déficit comercial de US$ 1,1 bilhão com os americanos em máquinas e equipamentos. A Abimaq também defenderá que a aplicação das tarifas poderá afetar empresas americanas que dependem de máquinas brasileiras produzidas sob encomenda. Segundo Zanella, a valorização de cerca de 11% do real frente ao dólar no acumulado do ano reduz o impacto financeiro do crescimento das exportações para os fabricantes nacionais. — Foto: Leo Pinheiro/Valor
Abimaq reduz projeção para o mercado doméstico de máquinas em 2026 e busca evitar novas tarifas nos EUA
Entidade projeta queda de 3,6% na receita no mercado doméstico neste ano, ante estimativa anterior de retração de 2,7%








