A indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou forte perda de tração em abril de 2026, revertendo a melhora pontual observada no mês anterior e consolidando cenário de enfraquecimento do investimento produtivo no país. Dados divulgados pela Abimaq, nesta quarta-feira (27), mostram que a receita líquida total do setor recuou 14,9% em relação a abril de 2025, somando R$ 21,3 bilhões. No acumulado do primeiro quadrimestre, a retração já chega a 12%. O diagnóstico da entidade é que a desaceleração deixou de ser um movimento de margem e passou a contaminar o desempenho agregado. O consumo aparente – que mede a absorção de máquinas nacionais e importadas pelo mercado interno – caiu 20,6% na comparação anual, atingindo R$ 27,76 bilhões. Mais do que a intensidade, a abrangência da queda acendeu o alerta, já que houve recuo tanto na aquisição de bens produzidos localmente (-26,6%) quanto nos importados (-13,5%). Para a entidade, o principal vilão continua sendo o custo do crédito. Segundo o relatório da Abimaq, a persistência da política monetária restritiva tem gerado efeitos cumulativos. Além do encarecimento do capital de giro, há uma deterioração da capacidade de investimento das empresas, que passaram a priorizar a liquidez em vez da expansão produtiva. No exterior, os números absolutos de exportação foram positivos, com alta de 42,7% em dólares (US$ 1,47 bilhão). Contudo, a Abimaq vê o resultado com cautela. O resultado foi inflado por uma base de comparação muito baixa em 2025 e pela entrega pontual de um grande projeto para Singapura. Além disso, a valorização de 10,8% do real frente ao dólar no período reduziu o impacto dessas vendas na receita convertida para a moeda nacional. Importações já representam 49% do consumo nacional Enquanto isso, o produto estrangeiro segue ganhando espaço. As importações já representam 49% do consumo nacional, refletindo a perda de competitividade da indústria local. A China consolida-se como o principal fornecedor, com um avanço de 13,7% nas vendas para o Brasil no quadrimestre, puxado por máquinas para logística e construção civil. Para a entidade, o desaquecimento já se reflete no mercado de trabalho, com o fechamento de cerca de mil postos de trabalho em abril, a maioria ligada a fabricantes do agronegócio. O setor encerrou o mês com 415,2 mil colaboradores. Diante do aprofundamento da crise no mercado doméstico, a Abimaq revisou suas perspectivas para o fechamento de 2026. A estimativa para a receita interna, que antes previa um crescimento tímido de 0,7%, foi cortada para uma queda de 2,7%. Para a receita total, a previsão agora é de um recuo de 4,7% no ano, influenciado pela pressão cambial sobre as exportações.