Importações atingiram US$ 2,65 bilhões em maio e, no acumulado do ano, já representam 48,1% do consumo nacional de máquinas e equipamentos Abimaq: juros elevados e política monetária restritiva são entrave à renovação do parque industrial nacional — Foto: Rogério Vieiora / Valor O setor de máquinas e equipamentos registrou nova retração em maio, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), nesta terça-feira (30). A receita líquida total somou R$ 22,5 bilhões no mês, queda de 20,4% na comparação anual. Embora o consumo aparente tenha registrado alta de 11,6% frente a abril, totalizando R$ 31,1 bilhões, o indicador ainda permaneceu 19,5% abaixo do nível observado em maio de 2025. A Abimaq avalia que a desaceleração não é um fenômeno pontual, mas reflete um enfraquecimento dos investimentos produtivos no país. Para a entidade, a combinação de juros elevados e política monetária restritiva tem sido o principal entrave para a renovação do parque industrial nacional. No mercado doméstico, a receita interna recuou 17,9% no acumulado do ano até maio. Segundo a Abimaq, o custo elevado do crédito está limitando a expansão da capacidade instalada, que operou em 78,3% em maio, abaixo do registrado no mesmo mês do ano anterior. A carteira de pedidos, indicador antecedente da atividade, caiu para 8,2 semanas, uma redução de 10,6% em relação a maio de 2025. O relatório também destaca a evolução do comércio exterior. As importações atingiram US$ 2,65 bilhões em maio e, no acumulado do ano, já representam 48,1% do consumo nacional de máquinas e equipamentos. Segundo a Abimaq, a China ampliou sua participação nas importações brasileiras do setor. Enquanto as compras externas de outros mercados recuaram, as importações provenientes do país cresceram 14,1% no acumulado de janeiro a maio. A associação avalia que esse avanço ocorre em segmentos como logística, construção civil e indústria de transformação, onde as compras de equipamentos chineses aumentaram 42,5% e 22%, respectivamente. Do lado das exportações, o setor registrou US$ 1,04 bilhão em maio, alta de 5,5% na comparação anual. De acordo com o relatório, a valorização de cerca de 11% do real frente ao dólar e o cenário internacional reduziram o impacto positivo dessas vendas sobre a receita em moeda nacional. Além disso, parte do crescimento das exportações deve ser analisada com cautela, por decorrer de base de comparação mais baixa em 2025, quando a indústria dos Estados Unidos – principal destino das máquinas brasileiras – passava por período de enfraquecimento. Na avaliação da Abimaq, o setor enfrenta desafios relacionados à competitividade, como custos, escala e produtividade. A entidade afirma que há o risco de que, mesmo em uma futura retomada econômica, novos investimentos no país sejam direcionados majoritariamente à compra de equipamentos importados, em detrimento da produção nacional. No mercado de trabalho, o setor manteve estabilidade, com viés de queda, ao contabilizar 415,7 mil pessoas ocupadas em maio.
Indústria de máquinas tem queda anual de 20% na receita em maio, com avanço das importações da China
Importações atingiram US$ 2,65 bilhões em maio e, no acumulado do ano, já representam 48,1% do consumo nacional de máquinas e equipamentos






