PUBLICIDADE Resultado veio abaixo do esperado por analistas de mercado, que projetavam alta de 0,3% 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 As principais atividades que puxaram a queda foram as de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-6,1%) e indústrias extrativas (-2,6%). Na foto: Refinaria de Mataripe, na Bahia — Foto: Divulgação/MME RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 09:31 Produção industrial do Brasil cai 0,2% em maio, contrariando expectativas. A produção industrial brasileira caiu 0,2% em maio, após quatro meses de alta, conforme dados do IBGE. Analistas esperavam um aumento de 0,3%. O setor de coque, petróleo e biocombustíveis caiu 6,1%, enquanto as indústrias extrativas recuaram 2,6%. No entanto, setores como farmoquímicos e automotivo tiveram crescimento, destacando-se a indústria farmacêutica com alta de 13,1%. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A produção industrial variou −0,2% em maio desde ano, após registrar quatro meses de altas seguidas. Em abril, o setor havia crescido 0,7%. O resultado, divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE, veio abaixo das expectativas de analistas de mercado, que projetavam alta de 0,3%. Em relação a maio de 2025, a indústria teve alta de 0,2%, após avançar 2,7% em abril. No acumulado no ano, o avanço foi de 1,4%, enquanto nos últimos 12 meses, cresceu 0,4%. As principais atividades que puxaram a queda no mês de maio foram as de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-6,1%) e indústrias extrativas (-2,6%). "Ambas as atividades interromperam cinco meses consecutivos de expansão na produção, período em que acumularam ganhos de 17,1% e 7,4%, respectivamente", explicou o gerente da pesquisa, André Macedo. Segundo o pesquisador, os itens que mais pressionaram o índice para baixo entre os derivados do petróleo foram o álcool etílico e a gasolina, enquanto minério de ferro, óleos brutos do petróleo e gás natural puxaram o recuo da indústria extrativa. Carrego estatístico Stéfano Pacini, economista do FGV Ibre, explica que os grupos de indústria extrativa e derivados do petróleo pesam muito no total da produção industrial, o que levou o índice a ficar negativo este mês, embora tenha sido observada uma melhora em outros segmentos. — Acho que é um resultado muito mais estatístico de dois setores puxando para baixo do que a indústria toda caindo. Teve um efeito positivo para a indústria extrativa durante a guerra, com o preço do petróleo subindo, com o aumento da incerteza. Mas, uma vez que a incerteza reduz, tinha um carregamento estatístico muito positivo de cinco meses de alta, que levou agora a esse resultado compensatório — apontou. Já André Valério, economista sênior do Inter, acredita que a dinâmica de mercado também influenciou no resultado: — Em maio as exportações de petróleo foram bem fracas, menores que as de maio de 2025, refletindo menor apetite da China e também que estava havendo fluxo oriundo do Estreito de Ormuz, mesmo com o estreito fechado, o que fez com que nossas exportações para a Ásia e Índia caíssem muito frente a abril. Além disso, com os EUA explorando o petróleo da Venezuela, eles diminuíram bastante a importação do nosso. Para ele, a queda de maio reforça a expectativa de desaceleração da atividade industrial para os próximos meses, sobretudo nos segmentos mais ligados ao mercado doméstico, por conta da política monetária restritiva e da tendência de normalização dos preços internacionais da energia. — Achamos que os juros estão batendo, sim. O desempenho melhor que esperado da indústria nesse ano é muito reflexo de petróleo e combustível, que não segue a dinâmica doméstica. O restante da indústria se mostra em tendência clara de moderação do crescimento, principalmente bens de capital e de consumo duráveis, que são bastante sensíveis a juros — completa Valério. No entanto, Pacini ressalva que determinados setores que são mais sensíveis ao crédito também vem mostrando números positivos, como no caso de bens duráveis, o que pode impedir uma maior desaceleração à frente. — A gente imagina que consumidor não vai comprar um carro com a taxa de juros a 15%. Mas a gente vê que o setor de veículos automotores está melhorando. Teve recentemente um impacto positivo de exportações para a Argentina. A gente tem investimento nesse setor aumentando muito por conta da mudança tecnológica de carros elétricos, com a entrada de mais empresas no Brasil — diz ele, mencionando ainda programas de crédito do governo, como o Move Brasil. Em maio, o segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias subiu 4,1%, acompanhado de variações positivas nas atividades de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (13,1%) e produtos químicos (3,1%). “A indústria farmacêutica interrompeu quatro meses consecutivos de queda, enquanto o setor automobilístico marca o seu quinto mês seguido de crescimento impulsionado pela maior produção de automóveis, caminhões e autopeças. Já produtos químicos eliminou o recuo de 2,8% registrado em abril”, analisou Macedo.