Veja aqui quais foram os pontos relevantes que levaram ao recuo da produção industrial em maio Mesmo com recuo de 0,2% em maio ante abril, produção industrial brasileira sobe 1,4% no ano até maio — Foto: Divulgação Após quatro elevações consecutivas, a indústria amargou uma queda de 0,2% em maio ante abril, segundo informou na sexta-feira (3) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo foi o pior resultado do ano e a mais forte queda desde dezembro do ano passado (-1,9%). O desempenho negativo pegou de surpresa o mercado financeiro. O resultado de maio ficou bem abaixo da mediana das estimativas de 20 instituições financeiras e consultorias, ouvidas pelo Valor Data, de alta de 0,3%, livre dos efeitos sazonais. Também ficou no piso das projeções, que iam de queda de 0,2% a alta de 2,1%. Um aspecto inesperado, na performance da indústria em maio, foi o comportamento de três segmentos: o de indústrias extrativas, de alimentos e de produtos derivados de petróleo e biocombustiveis. Após sucessivas altas, esses setores encerraram maio com saldo negativo, na comparação com abril. André Macedo, pesquisador do IBGE e responsável pela pesquisa que mapeia o setor industrial do país, explicou que, sozinhos, esses três segmentos representam 45% do total da produção da indústria. Assim, quando apresentam queda, acabam por derrubar o resultado como um todo, da atividade industrial. Longe de sinalizarem tendência de queda, na produção industrial como um todo, os recuos nos três segmentos foram classificados como “ajustes”, por Macedo. Isso porque passaram por altas de magnitude elevada, entre janeiro e abril desse ano, disse. Assim, o especialista não descartou a hipótese de que o resultado de maio, de queda na produção industrial nacional, de 0,2%, tenha sido uma “interrupção momentânea”, no avanço da atividade do setor, que ocorreu ao longo de 2026. No entendimento do economista, mesmo com o recuo, na média da produção industrial nacional em maio ante abril, o quadro da indústria não pode ser considerado negativo. Ele informou que, do total de ramos industriais, 16 mostraram crescimento, um teve estabilidade; e oito, queda, na produção industrial em maio ante abril. “Mas, o que aconteceu foi que, nesses oito que mostraram queda [na produção industrial, em maio ante abril] temos três segmentos importantes [indústrias extrativas, alimentos, e produtos derivados de petróleo e biocombustiveis], que têm muito peso na composição da produção industrial”, explicou. Outro fator citado pelo especialista, para comprovar que o desempenho da produção industrial não teria sido tão ruim , foi a trajetória do índice de difusão da atividade industrial. Essa é a parcela, no total de segmentos industriais, a mostrar crescimento de produção, ante mês anterior. Mais da metade dos ramos mostrou expansão, na atividade industrial, em maio ante abril, informou ele. Além disso, ponderou, dentro do setor industrial, a indústria da transformação também manteve saldo positivo, em maio ante mês anterior. E isso, ponderou, em quadro de restrição de política monetária, disse. “Um fator importante que contribui negativamente para a indústria da transformação é o patamar de juro alto”, recordou. Isso porque o setor industrial de transformação depende muito de capital giro movido a crédito para operar. Quando o juro permanece elevado, no mercado, isso na prática torna empréstimos mais caros, para o empresariado. O especialista informou ainda que, de janeiro a abril, a produção industrial brasileira acumulou aumento de 4,3%, devido a elevações mensais passadas. “Esse recuo de 0,2% [em maio] elimina uma parte [da alta]”, admitiu. “Enxergamos momentaneamente como uma interrupção [do avanço da produção]”, disse. “Não sabemos se vai continuar. Precisamos de mais informações, nos próximos meses [para mensurar tendência]”, disse.