Após quatro altas seguidas, a produção da indústria brasileira caiu 0,2% em maio ante abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada nesta sexta-feira (3) pela instituição. Em abril, o indicador teve alta de 0,7%, dado inalterado, sem revisão. O desempenho de maio ficou abaixo da mediana das estimativas de 20 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, de alta de 0,3%, livre dos efeitos sazonais. As projeções iam de queda de 0,2% a alta de 2,1%. Na comparação com mesmo mês em 2025, a produção industrial subiu 0,20% em maio. Por essa base de comparação, a expectativa mediana do mercado era de alta de 1,3% do indicador, conforme levantamento do Valor Data. As projeções iam de aumento de 0,2% a alta de 3,3%. A indústria acumula crescimento de 0,40% nos últimos 12 meses, até maio. Com o resultado do mês, a indústria brasileira se posiciona 4,5% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda 13% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011, informou o IBGE. Categorias Três das quatro grandes categorias do setor industrial pesquisadas pelo IBGE tiveram queda na atividade em maio, frente a abril. Os bens de capital tiveram recuo de 0,20% em maio em relação a abril. Na comparação com igual período de 2025, o recuo foi de 6,7%. Já a produção de bens intermediários apresentou perda de 0,4% na passagem entre abril e maio. Na comparação com maio de 2025, no entanto, a atividade subiu 1,4%. A categoria representa 55% da indústria. A produção de bens duráveis, por sua vez, avançou 3,6% em maio, frente a abril. Na comparação com maio de 2025, o indicador teve aumento de 1,5%. O resultado de bens semi e não duráveis, por sua vez, foi de retração de 1,3% em maio ante abril. Na comparação anual, com maio de 2025, houve queda de 1,1%. Segmentos Segmentos industriais relacionados a derivados de petróleo, e ao setor extrativo, ajudaram a derrubar desempenho de produção industrial brasileira em maio, ante abril, informou IBGE. Em comunicado, o IBGE detalhou que, em maio ante abril, as influências negativas mais intensas para performance negativa, da atividade industrial no período como um todo, vieram de recuos, na produção, em coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-6,1%) e em indústrias extrativas (-2,6%). “Ambas as atividades interromperam cinco meses consecutivos de expansão na produção, período em que acumularam ganhos de 17,1% e 7,4%, respectivamente”, escreveu o gerente da pesquisa, André Macedo, no informe sobre o estudo. No mesmo comunicado, ele acrescentou que produções mais fracas nas indústrias de álcool etílico e de gasolina exerceram as maiores pressões negativas em derivados do petróleo. Já resultados menos favoráveis em minério de ferro, óleos brutos do petróleo e gás natural puxaram o recuo da indústria extrativa, segundo ele. Em contrapartida, por segmentos, as altas mais expressivas na produção, em maio ante abril, foram observadas em produtos farmoquímicos e farmacêuticos (13,1%), veículos automotores, reboques e carrocerias (4,1%) e produtos químicos (3,1%). “A indústria farmacêutica interrompeu quatro meses consecutivos de queda, enquanto o setor automobilístico marca o seu quinto mês seguido de crescimento impulsionado pela maior produção de automóveis, caminhões e autopeças”, detalhou Macedo, no comunicado. “Já produtos químicos eliminou o recuo de 2,8% registrado em abril”, completou o gerente da pesquisa. Outros impactos positivos, no mesmo período comparativo, vieram de aumentos, na produção industrial, em setores de metalurgia (2,3%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (4,7%), outros equipamentos de transporte (4,7%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (2,6%) e máquinas e equipamentos (1,2%), informou ainda o IBGE, no comunicado. — Foto: José Paulo Lacerda/CNI