A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre mostrou um cenário de investimentos ainda muito estagnado no Brasil, mas os números poderiam ter sido ainda piores sem o aumento da importação de máquinas e equipamentos, avalia José Velloso, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). “Teria sido muito pior, mas uma parte do crescimento na demanda veio da importação de máquinas. A importação total cresceu 1,2%. Quando a gente olha pelo lado da demanda, um lado positivo do crescimento foi a importação de bens de capital. Se no Brasil caímos, a importação aumentou”, diz o porta-voz do setor. Apesar do desempenho positivo da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida das contas nacionais do que se investe em máquinas, construção civil e pesquisa), com aumento de 3,5%, maior taxa para o período desde o primeiro trimestre de 2021 (6,3%), essa expansão praticamente compensou a queda de 3,4%, observada no quarto trimestre de 2025. “Dentro dessa FBCF, houve, em fevereiro, uma importação de uma plataforma continental da Petrobras no valor de R$ 12 bilhões. No geral, o investimento foi pouco e a boa notícia veio da importação”, avalia Velloso. O representante do setor de máquinas e equipamentos afirma que o resultado veio de acordo com o esperado. Para o ano, a Abimaq projeta uma queda acima de 16% do setor, contra o mesmo período de 2025. Pelos dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (29), frente ao primeiro trimestre de 2025, houve retração de 1,4% na FBCF. No mesmo período, a taxa de investimento (FBCF/PIB) foi 16,5%, permanecendo abaixo da observada no mesmo período do ano anterior (17,6%). Entre os setores que mais contribuem para a FBCF, o destaque ficou com a construção, que registrou uma alta anual de 1,3% no PIB. Já o setor de transformação apresentou queda de 0,9%, puxada pelos segmentos de Impressão e reprodução de gravações (queda de 10,2%) e Fabricação de máquinas e equipamentos (queda de 9,4%). “É uma taxa de investimento muito baixa. Aproximadamente 40% do investimento são máquinas e equipamentos, e 55% vêm da construção civil. O investimento não cresce porque estamos vendendo menos máquinas. O primeiro componente é a taxa de juros, disparado o principal motivo. Com a taxa de juros no patamar em que está [14,50%], o investidor prefere colocar dinheiro no mercado financeiro do que comprar uma máquina”, diz o presidente-executivo da Abimaq. Velloso afirma que, mesmo com taxas incentivadas, como as do BNDES, o custo do financiamento de um equipamento tem girado em torno de 18% a 24% ao ano. “A atividade econômica não consegue pagar esse financiamento. Sem financiamento, as vendas caem”. O executivo ainda destaca a alta carga tributária e um ambiente de negócios desfavorável como fatores que também afastam novos investimentos.
Juros limitaram investimento no PIB do 1º tri, mas situação poderia ser ‘muito pior’, avalia Abimaq
Setor destaca a alta carga tributária e um ambiente de negócios desfavorável como fatores que também afastam novos investimentos














