A semana começou meio cinza por causa da eliminação do Brasil na Copa. Muitos de nós esperávamos que a seleção continuasse na competição, o que, infelizmente, não aconteceu. Entretanto, alguns resultados de outras equipes têm me surpreendido. Quando a Fifa anunciou que a Copa passaria de 32 para 48 seleções, confesso que achei que isso prejudicaria o torneio e reduziria a qualidade dos jogos. Até agora, porém, aconteceu justamente o contrário.

A ampliação parece ter oxigenado a competição. Cabo Verde, por exemplo, protagonizou um jogo eletrizante contra a Argentina e esteve perto de uma classificação histórica. A Costa do Marfim perdeu para a Noruega pelo mesmo placar do Brasil. O Paraguai, que não disputava uma Copa desde 2010, eliminou a Alemanha. E o Marrocos eliminou a Holanda. Esses resultados me fizeram rever minha opinião. A ampliação abriu espaço para seleções competitivas, especialmente africanas, que talvez não estivessem presentes no formato anterior.

Eu estava errada ao supor que ampliar o acesso inevitavelmente reduz a qualidade. A Copa está mostrando que essa relação nem sempre existe. Cabo Verde não ficou melhor porque a Fifa mudou a regra. O time já existia. O que mudou foi a oportunidade de disputar a Copa do Mundo. A ampliação do torneio permitiu revelar seleções competitivas que antes permaneciam fora do radar.