Entre as estratégias possíveis para combater a crise climática, a captura de carbono costuma ser vista com mais ceticismo do que entusiasmo. Comparada ao investimento em fontes de energia renovável, cada vez mais baratas e acessíveis ao redor do mundo, a remoção do gás carbônico da atmosfera ou sua captura em complexos industriais antes que se disperse ainda é cara, de difícil implementação e com pouca aplicação comercial hoje.
Entretanto, para Omar Yaghi, prêmio Nobel de Química em 2025, essa crítica é "irrelevante". Ele sustenta que a captura de carbono não é uma promessa para o futuro, mas uma urgência atual —e a maneira mais realista de combater a mudança climática antes que seja tarde demais.
"Vamos continuar queimando combustíveis fósseis", disse o químico à Folha durante a 75ª Reunião do Prêmio Nobel de Lindau, na Alemanha. "Não existe nenhuma outra tecnologia capaz de substituí-los com a velocidade e escala necessárias para conter a crise. Precisávamos ter feito algo a respeito antes, mas não fizemos, e não acho que faremos. A economia mundial depende de combustíveis fósseis —é preciso encarar esse fato de maneira realista."
Nascido em um campo de refugiados palestinos na Jordânia em 1965, Yaghi teve uma infância precária, crescendo sem acesso regular a saneamento básico ou educação. Aos 15 anos de idade, sua família conseguiu enviá-lo aos Estados Unidos, onde completou o ensino médio e se formou em Química na Universidade Estadual de Nova York, em Albany.








