PUBLICIDADE Em debate na RNCW, Ana Toni, Marina Silva e Sonia Guajajara afirmam que cortes nas emissões do gás podem posicionar o país como protagonista da transição climática 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Em painel na Rio Nature & Climate Week, Marina Silva, Sonia Guajajara, Leila Sterenberg e Ana Toni debatem a importância da redução do metano — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 11:16 Brasil pode liderar redução de metano para combater crise climática A redução das emissões de metano é vista como uma estratégia eficaz e rápida para combater a crise climática, destacaram líderes na Rio Nature & Climate Week. Ana Toni, Marina Silva e Sonia Guajajara apontaram que o Brasil, por sua posição estratégica e potencial natural, pode liderar essa transição e atrair investimentos. O metano, embora mais potente que o CO₂, tem vida útil mais curta, permitindo resultados rápidos. O envolvimento social e a cooperação internacional são essenciais para alcançar metas, como a redução de 30% até 2030. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Responsável por cerca de um quarto do aquecimento global, o metano vem ganhando espaço nas negociações climáticas internacionais por reunir uma possibilidade rara: reduzir suas emissões pode produzir resultados relativamente rápidos no combate à mudança do clima. Em debate na primeira edição da Rio Nature & Climate Week (RNCW), realizada no Rio de Janeiro entre os dias 2 e 6 de junho, autoridades e especialistas defenderam que o tema se tornou uma das principais oportunidades para acelerar a ação climática em meio a um cenário marcado por disputas geopolíticas e desafios crescentes para a cooperação entre países. — Reduzir as emissões de metano é uma das formas mais rápidas de ganhar tempo na luta contra a mudança do clima. Trata-se de um gás de efeito estufa extremamente potente, cerca de 80 vezes mais impactante que o CO₂ no curto prazo, mas que permanece na atmosfera por um período relativamente menor. Por isso, agir sobre o metano produz resultados mais imediatos — disse a diretora-executiva da COP30, Ana Toni, durante debate no painel “Metano como vetor: coordenação climática e geopolítica”. Mediada pela jornalista Leila Sterenberg, a conversa abordou os caminhos para reduzir as emissões do gás em setores como agropecuária, resíduos e energia, além dos desafios para transformar compromissos globais em ações práticas. Participaram da discussão, além de Toni, a ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e a deputada Sonia Guajajara. O painel fez parte do Fórum Metano: Freio de Emergência Climática, que reuniu, em cinco mesas, representantes de organizações globais, formuladores de políticas públicas, cientistas, comunicadores, representantes do setor produtivo e da sociedade civil. As convidadas destacaram que a redução do metano ocupa hoje uma posição estratégica na agenda climática global porque, diferentemente do CO₂, que permanece na atmosfera por mais de 100 anos, o metano tem a vida útil muito mais curta: são cerca de 12 anos. Isso significa que cortes nas emissões podem produzir efeitos mais rápidos sobre o ritmo do aquecimento global, contribuindo para ampliar a margem de manobra dos países enquanto avançam em transformações estruturais de longo prazo. O Brasil é o quinto maior emissor de metano do planeta, atrás apenas da China, Estados Unidos, Índia e Rússia. Ao mesmo tempo, está também entre os países com maior potencial para liderar sua redução. A combinação entre recursos naturais, capacidade produtiva e experiência acumulada em políticas ambientais, destacou a ex-ministra, coloca o Brasil em posição favorável para atrair investimentos e acelerar soluções de baixo carbono. — O Brasil encara isso como uma grande oportunidade de buscarmos mais investimentos, conseguirmos avanços tecnológicos e, assim, enfrentarmos a mudança do clima não como um problema, mas como uma chance de criar um novo ciclo de prosperidade econômica, tecnológica e de novas bases produtivas — disse. — É um desafio muito grande. Mas a expectativa futura, com o compromisso assumido [na COP30] de reduzir em 30% até 2030 as emissões de metano em relação aos níveis de 2020, já é uma perspectiva muito melhor. A ex-ministra Marina Silva em painel do Fórum Freio de Emergência Climática, na Rio Nature & Climate Week — Foto: Divulgação Alcançar esse objetivo exigirá estratégias distintas para diferentes setores da economia. Ana Toni ressaltou que a redução das emissões passa por desafios específicos na agricultura, na gestão de resíduos e na indústria de petróleo e gás, exigindo a atuação coordenada de governos, empresas e autoridades locais. Governos subnacionais, por exemplo, podem contribuir mais na área de resíduos sólidos, tema central para a COP31. Para Toni, o debate também oferece uma oportunidade de fortalecer a cooperação internacional em um momento de crescente fragmentação geopolítica. Embora os países enfrentem dificuldades para avançar em temas mais amplos da agenda climática, disse, o metano vem se consolidando como uma área capaz de reunir consensos e produzir resultados no curto prazo: cortes rápidos nas suas emissões podem desacelerar o aquecimento global já na próxima década, potencialmente reduzindo em até 0,5°C a temperatura média global. — Se queremos ganhar tempo diante da possibilidade de ultrapassarmos 1,5°C ou até 2°C de aquecimento, temos que assumir esse compromisso — afirmou. — Não há exemplo melhor de multilateralismo funcionando do que assumir compromissos concretos para reduzir o metano. Envolvimento social Outro tema recorrente ao longo do debate foi a necessidade de ampliar o envolvimento da sociedade na agenda climática. Para Sonia Guajajara, a implementação das metas relacionadas ao metano dependerá não apenas de decisões governamentais ou avanços tecnológicos, mas também da capacidade de mobilizar diferentes setores sociais em torno do problema. Ela afirmou que os povos indígenas vêm contribuindo historicamente para a conservação dos ecossistemas brasileiros, e argumentou que o reconhecimento desse papel foi resultado de décadas de mobilização política e participação em fóruns internacionais. — Nenhum setor, nem governo, nem sociedade civil, nem setor privado, vai encontrar sozinho as soluções para enfrentar a crise climática se não houver envolvimento e responsabilidade compartilhados — disse, acrescentando que ampliar o conhecimento da sociedade sobre o tema é condição necessária para acelerar a implementação de medidas capazes de enfrentar a emergência climática. — Precisamos falar sobre isso com a sociedade. Precisamos divulgar, conversar e ocupar diferentes espaços de comunicação para tratar do que é urgente. A deputada Sonia Guajajara em painel do Fórum Freio de Emergência Climática, na Rio Nature & Climate Week — Foto: Divulgação Ao mesmo tempo, destacou a ex-ministra Marina Silva, a discussão sobre o metano não deve ser separada de esforços mais amplos de enfrentamento da crise climática. Na avaliação dela, medidas voltadas para a redução das emissões do gás podem gerar ganhos importantes no curto prazo, mas precisam caminhar junto com estratégias de longo alcance para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e fortalecer políticas de proteção ambiental. — Política pública funciona e produz resultados. Mas não há como fugir da redução da dependência de petróleo e gás se quisermos enfrentar, pela raiz, a emergência climática.
Redução do metano pode acelerar combate à crise climática e abrir oportunidades para o Brasil, defendem lideranças
Em debate na RNCW, Ana Toni, Marina Silva e Sonia Guajajara afirmam que cortes nas emissões do gás podem posicionar o país como protagonista da transição climática







