PUBLICIDADE Potências rivais, EUA e China comemoram marcos de sua história friccionados por diferenças, mas também com notáveis semelhanças 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente da China, Xi Jinping, discursa sob os olhares do presidente dos EUA, Donald Trump (de costas), em Pequim — Foto: Brendan SMIALOWSKI / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 06/07/2026 - 22:05 EUA e China Celebram Marcos Históricos Destacando Rivalidade Global EUA e China, rivais globais, celebram datas marcantes: os EUA 250 anos de independência e a China 105 anos do Partido Comunista. Ambos exaltam sua superioridade, com Trump criticando o comunismo e Xi Jinping destacando o papel global da China. Enquanto a China avança em tecnologia de IA, os EUA enfrentam desafios. As duas potências compartilham um DNA histórico que impulsiona sua influência mundial. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Na semana em que os Estados Unidos festejaram 250 anos de independência, o Partido Comunista da China marcou 105 anos de fundação, ambos com ares de superioridade. Em Washington, Donald Trump atacou o comunismo e proclamou os EUA como “a coisa mais incrível já feita por mãos humanas”. Em Pequim, Xi Jinping exaltou seu país como um milagre e decretou: “Quando a China vai bem, o mundo fica melhor.” Num contraste com discursos em aniversários anteriores do partido, focados em temas domésticos, desta vez Xi adotou um olhar mais global, salientando o papel da China no mundo. É um sinal da autoconfiança de Pequim em sua diplomacia, num momento em que EUA e Rússia estão envolvidos em guerras sem fim, a Europa mantém-se economicamente dependente da China e o Japão é sufocado por uma crise energética. Apesar de todas as pressões da geopolítica, também sinaliza que o cenário externo talvez seja uma zona de maior conforto para a liderança da China do que os pepinos caseiros, a começar pela dificuldade de estimular a confiança da população na economia. Queixas sobre a crise imobiliária, que já se arrasta pelo sexto ano, ou sobre o desemprego entre jovens, estão sempre nas rodas de conversa. Ainda assim, persiste uma peculiar autoconfiança no país, ajudada pela comparação com outros. O avanço da tecnologia tem um papel importante nisso. O sucesso de plataformas locais de inteligência artificial (IA) como DeepSeek turbinou o orgulho nacional, dando aos chineses a sensação de que o país tem condições de competir em pé de igualdade com gigantes dos EUA. No início do ano, a China tinha mais de 600 milhões de usuários ativos de IA generativa, mais de metade do mundo inteiro. Aqui, a IA está por toda a parte. Na estratégia do governo e, cada vez mais, no cotidiano das pessoas. Pergunte ao DeepSeek se os EUA são uma potência em declínio, como muitos na elite do poder chinês acreditam, e virá uma resposta contida: “Os EUA encaram imensos desafios, mas ainda retêm grande poder”. Potências rivais, EUA e China comemoram marcos de sua História friccionados por diferenças, mas também com notáveis semelhanças. Há algo em seu DNA histórico que alimenta a convicção de que os dois têm um papel especial a desempenhar no mundo, e que seu destino é moldar os rumos da Humanidade. De diferentes formas, isso voltou a ser ressaltado, tanto no 1º de Julho chinês quanto no 4 de Julho americano. Trump: “Por dois séculos e meio, nossa República Americana se ergueu como a maior realização da História da Humanidade.” Xi: “Promovemos a construção de uma comunidade de futuro compartilhado para a Humanidade, contribuindo com sabedoria chinesa, soluções chinesas e a força chinesa para solucionar os grandes problemas da Humanidade”. Em Pequim e Washington, a meta é a mesma: ficar na frente. Para o governo chinês, obter a liderança em tecnologias vitais e/ou o controle de parte da cadeia de suprimento, como chips e minerais críticos, é o caminho para igualar o jogo. A prioridade é romper a hegemonia tecnológica americana, diz Cai Cuihong, do Centro de Estudos Americanos da Universidade Fudan, em Xangai. Num artigo publicado na revista Qiushi, principal publicação teórica do PC chinês, ela exorta o Sul Global a se unir numa resistência digital anti-imperialista. Sob a liderança de Pequim, essa é a ideia.