Pequim afirmou que poderá tomar 'todas as medidas necessárias' para proteger seus interesses, além de ter pedido a Washington que cancele medidas tarifárias unilaterais As bandeiras dos EUA e da China no Grande Salão do Povo antes do jantar de Estado entre o presidente Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping em 14 de maio de 2026, em Pequim — Foto: AP/Mark Schiefelbein, Arquivo A China elevou o tom contra os Estados Unidos nesta segunda-feira, criticando tanto as tarifas impostas a produtos chineses por alegações de trabalho forçado com base da Seção 301 quanto a possibilidade de sanções contra empresas de inteligência artificial do país devido a alegações de que elas usaram indevidamente modelos americanos para treinar seus próprios sistemas. O Ministério do Comércio chinês afirmou que poderá tomar "todas as medidas necessárias" para proteger seus interesses, além de ter pedido a Washington que interrompa o que classificou como uma "campanha de difamação" e que "corrija a prática equivocada", cancelando medidas tarifárias unilaterais. "Desta vez, [Washington] voltou a iniciar uma investigação com base na Seção 301 e impôs tarifas unilaterais sob o pretexto de 'trabalho forçado', o que constitui um ato típico de unilateralismo e protecionismo, ao qual a China se opõe firmemente", afirmou o ministério. "A China sempre se opôs ao trabalho forçado e estabeleceu um sistema abrangente de leis e regulamentos trabalhistas para prevenir e combater de forma resoluta as práticas de trabalho forçado. Em contraste, os Estados Unidos não apenas deixaram de ratificar a Convenção sobre Trabalho Forçado de 1930, como também há muito tempo manipulam a questão do 'trabalho forçado'”, prosseguiu. Na sexta-feira, os EUA impuseram novas tarifas de 10% e 12,5% sobre produtos de 60 parceiros comerciais, incluindo a União Europeia e a China, sob a alegação de que esses países não conseguiram conter as importações de produtos fabricados com trabalho forçado. À China foi aplicada uma alíquota de 12,5%. As novas tarifas americanas ameaçam colocar em risco uma frágil trégua comercial alcançada no ano passado entre as duas maiores economias do mundo e foram anunciadas enquanto os dois lados se preparam para uma possível visita do presidente chinês, Xi Jinping, aos EUA em setembro. Guindastes pórticos próximos a contêineres empilhados no Porto de Yangshan , nos arredores de Xangai, China, 7 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Go Nakamura/Foto de Arquivo Já sobre as possíveis sanções contra empresas chinesas de inteligência artificial devido a alegações de que elas usaram indevidamente modelos americanos para treinar seus próprios sistemas por meio da destilação de modelos (método usado para treinar um grande modelo de linguagem utilizando os resultados produzidos por outro), o ministério disse em comunicado que “essas ações carecem de base factual e respaldo jurídico e constituem, na prática, dois pesos e duas medidas, representando atos típicos de hegemonia em IA". "A China tomará todas as medidas necessárias para proteger firmemente seus direitos e interesses legítimos contra quaisquer ações que prejudiquem substancialmente os interesses chineses”, acrescentou. Na semana passada, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, havia adiantado que os EUA examinaram cuidadosamente os modelos chineses em busca de indícios de roubo de propriedade intelectual, ecoando acusações da OpenAI e da Anthropic PBC de que seus concorrentes chineses exploraram os principais modelos americanos para desenvolver sistemas rivais por uma fração do custo. Pequim afirmou ainda que alguns modelos chineses foram lançados em períodos próximos aos de seus concorrentes americanos e já alcançaram desempenho de ponta em áreas como programação front-end. O governo chinês também defendeu a destilação como uma técnica amplamente utilizada no setor e acusou empresas americanas de IA de recorrerem a modelos chineses pelo mesmo método, sem citar companhias nem apresentar provas. Apesar das críticas às tarifas e possíveis sanções sobre IA, a China defendeu a ampliação do diálogo com Washington sobre inteligência artificial e pediu maior cooperação entre os dois países na governança e no desenvolvimento da tecnologia "com base no respeito mútuo, na igualdade e no benefício mútuo" para tratar das preocupações. "Espera-se que os Estados Unidos trabalhem com a China na mesma direção para implementar o consenso alcançado nas negociações comerciais bilaterais, reduzir as divergências, diminuir continuamente a lista de problemas e ampliar a lista de cooperação", prosseguiu o Ministério do Comércio.