Pequim diz que adotará 'todas as medidas necessárias' caso Washington amplie ofensiva contra empresas que fazem negócios com Teerã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bandeiras dos Estados Unidos e da China são vistas nesta ilustração criada em 10 de abril de 2025 — Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de arquivo A China alertou os Estados Unidos que poderá retaliar caso o governo do presidente Donald Trump amplie de forma significativa as sanções secundárias relacionadas ao Irã e passe a atingir empresas e instituições financeiras chinesas. “A China adotará todas as medidas necessárias para proteger firmemente seus direitos e interesses”, afirmou nesta terça-feira um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês. As declarações ocorrem após o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, ter anunciado na tarde de segunda-feira, no âmbito da “Operation Economic Outcast” (“Operação Pária Econômico”), que medidas econômicas seriam tomadas contra Teerã e seus parceiros com o objetivo de sufocar a economia da República Islâmica. Na ocasião, Bessent anunciou sanções contra mais de 60 entidades, indivíduos e embarcações acusados de ajudar o país a obter tecnologia nuclear e de mísseis. Até o momento, empresas sediadas na China continental e em Hong Kong foram atingidas, enquanto grandes bancos chineses foram poupados. Hoje, Pequim é o maior comprador de petróleo iraniano. Embora grandes refinarias estatais chinesas evitem em grande medida o petróleo iraniano sujeito a sanções, refinarias privadas menores, conhecidas como “teapots”, continuam importando e processando o produto. Algumas delas já foram sancionadas por Washington neste ano. Nesse contexto, a China reiterou sua oposição a sanções unilaterais americanas que classificou como “ilegais” por não terem respaldo do direito internacional ou do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Apesar das advertências a Washington, especialistas afirmam que a China também tem interesse em evitar um agravamento da guerra entre EUA e Irã, uma vez que a continuidade das restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz representa um risco para Pequim, que depende fortemente do petróleo do Oriente Médio. Embarcações no Estreito de Ormuz são vistas próximas à praia de Bandar Abbas, no Irã, em 25 de agosto de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS Nesse contexto, o governo chinês tem defendido uma redução das tensões e a retomada das negociações. Nos últimos dias, o presidente Xi Jinping e o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, discutiram a situação no Oriente Médio em encontros com autoridades da Jordânia e do Kuwait, em um sinal de que Pequim busca contribuir para uma saída diplomática para o conflito. Ao mesmo tempo, Pequim dispõe de instrumentos para reagir caso Washington avance com as sanções. A China reforçou nos últimos anos seu regime de contramedidas contra indivíduos e organizações estrangeiras que colaboram com restrições impostas a empresas chinesas e já demonstrou sua capacidade de pressionar os EUA por meio do controle de minerais críticos essenciais para setores de alta tecnologia. Uma eventual retaliação chinesa poderia, além disso, abrir uma nova frente de tensão entre Washington e Pequim às vésperas do encontro entre Trump e Xi, previsto para o mês que vem em Washington. A reunião é considerada particularmente importante para a economia mundial, já que os dois líderes devem discutir a extensão da trégua na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.