Pequim é principal destino das exportações de petróleo iraniano e afirma que relação entre os países não deve ser alvo de 'interferências ou perturbações' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, deixa o palco após anunciar novo pacote de sanções contra o Irã — Foto: Chip Somodevilla/Getty Images/AFP A China anunciou nesta terça-feira que "tomará todas as medidas necessárias" para defender os seus interesses na esfera internacional diante do plano lançado pelos EUA para estrangular a economia do Irã, um aliado e parceiro comercial de Pequim, por meio de sanções diretas e secundárias mirando a nação persa e os governos e instituições com quem mantiverem negócios. A manifestação chinesa acontece um dia após o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, apresentar a chamada "Operação Pária Econômico" em Washington, no qual voltou a ameaçar qualquer ator que se opuser ao plano de isolar completamente a economia de Teerã — embora analistas apontem que a falta de cooperação chinesa pode inviabilizar o plano. — A cooperação entre China e Irã sempre aconteceu dentro do marco do direito internacional e não deve ser alvo de interferências ou perturbações — declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês Lin Jian, em uma entrevista coletiva. — A China já afirmou em diversas ocasiões que se opõe de modo veemente às sanções unilaterais ilegais [...]. A China tomará todas as medidas necessárias para salvaguardar com firmeza seus direitos e interesses. A China é o principal parceiro comercial do Irã, tendo sido destino de 80% das exportações de petróleo iraniano em 2025. Pequim também é um importante fornecedor de componentes eletrônicos e bens industriais para Teerã, sendo considerado por analistas um ator indispensável em qualquer chance de sucesso da estratégia descrita por Bessent como uma "operação contínua para eliminar todas as últimas opções" iranianas. Em uma entrevista coletiva em Washington, na segunda-feira, o secretário americano afirmou que o presidente Donald Trump está fazendo ligações telefônicas para líderes mundiais para pedir que interrompam suas relações com Teerã, e que o país encerraria o acesso ao sistema do dólar para aqueles quem facilitasse a "lavagem de dinheiro" iraniano. Embora não tenha mencionado diretamente a China, Bessent disse que "ninguém está acima do alcance das sanções americanas" ao ser questionado se os bancos chineses seriam afetados pelas medidas. Analistas apontam que não está claro até que ponto o governo Trump está realmente disposto a abrir uma nova frente de disputa com a China, com quem já tem embates em inteligência artificial, Taiwan, expansão nuclear e o excesso de capacidade produtiva. "O Dia D original, nas praias da Normandia, não precisou da participação chinesa. Este 'Dia D econômico' precisa, e até agora não há indicação de que isso vá acontecer, um mês antes da visita de Estado do presidente Xi Jinping a Washington, sua primeira em mais de uma década", escreveu o analista de segurança nacional americana do New York Times David E. Sanger. O analista também observa que o governo Trump subverteu a ordem do que seria uma abordagem tradicional americana a uma disputa como a atual, envolvendo as capacidades nucleares do Irã — que a Casa Branca apontou como uma das justificativas centrais para o uso da força. Pela sequência lógica, os EUA deveriam ter iniciado por uma tentativa de diplomacia direta, seguido para sanções econômicas progressivamente mais severas em caso de não resolução e, por fim, utilizado a ação militar como último recurso. Trump, porém, teria passado de "uma breve rodada de diplomacia direta para ataques aéreos". "[...] o esforço levanta uma série de questões que a Casa Branca não respondeu. A primeira delas é por que, se sanções tão herméticas quanto essas [descritas pelo secretário de Tesouro] são possíveis, elas não foram adotadas antes de Trump ordenar que os militares americanos entrassem em combate, expondo a escassez de munições essenciais e os limites do poderio militar americano?", escreve Sanger. No que se refere a um aprofundamento de uma disputa com Pequim por causa dos laços com o Irã, o pesquisador visitante da Faculdade de Direito de Georgetown Peter Harrell definiu como "complicado" o cenário atual. Harrell apontou que Trump optou por não "apertar o cerco" contra os chineses no início do ano por causa de sua própria agenda econômica com Xi, preferindo autorizar uma operação naval de alta complexidade e custo para bloquear os navios e os portos iranianos. "Politicamente, foi mais fácil bloquear todos os petroleiros iranianos do que dizer aos chineses: 'Vamos sancionar suas grandes empresas' se eles continuassem negociando com o Irã", escreveu o pesquisador. A China defende um cessar-fogo no conflito e insiste que as sanções americanas não resolverão a guerra. Em face das ameaças, o Irã mantém o Estreito de Ormuz fechado, afetando toda a economia mundial. O ministro da Economia iraniano, Ali Madanizadeh, afirmou à televisão estatal na segunda-feira que o país "tem um plano de dois anos" para enfrentar as medidas e sanções americanas, e que Washington parece "querer sofrer uma nova derrota". (Com AFP e NYT)
China desafia ameaça de asfixia econômica dos EUA contra o Irã ao reafirmar 'salvaguarda' de interesses
Pequim é principal destino das exportações de petróleo iraniano e afirma que relação entre os países não deve ser alvo de 'interferências ou perturbações'













