Diante das incertezas, uma refinaria independente chinesa comprou nesta semana petróleo do campo brasileiro de Lapa, enquanto outras avaliavam a compra do petróleo Basrah, do Iraque 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Exploração, extração, petróleo, Irã — Foto: Dado Ruvic/Reuters As ofertas de petróleo iraniano a compradores chineses diminuíram e os preços dispararam nesta semana, à medida que o bloqueio imposto pelos Estados Unidos reduziu os embarques de Teerã, segundo fontes do mercado, em meio à ameaça de novas sanções por Washington. Os EUA restabeleceram em 13 de julho o bloqueio à navegação e aos portos iranianos, após o fracasso de um acordo para interromper a guerra entre os dois países, numa tentativa de cortar as vendas de petróleo — principal fonte de divisas (receitas em moeda estrangeira) fortes de Teerã. A medida agravou as perdas anteriores provocadas por ataques durante a guerra contra a infraestrutura energética iraniana. O número de ofertas de cargas de petróleo iraniano à China para entrega em setembro e outubro caiu em relação às cargas de julho e agosto, disseram quatro fontes do mercado familiarizadas com o assunto. Segundo elas, a redução ocorreu à medida que os barris que já estavam em navios no mar foram vendidos. As exportações de petróleo do Irã diminuíram desde meados de julho, sem que tenham sido registradas desde então travessias visíveis do Estreito de Ormuz por superpetroleiros transportando petróleo iraniano, segundo dados da empresa de rastreamento de navios Kpler. Muitas embarcações, porém, desligam seus transponders de localização, o que dificulta seu rastreamento. A redução da oferta ameaça uma importante fonte de matéria-prima para as refinarias independentes da província de Shandong, no leste da China, conhecidas informalmente como “teapots”. Essas empresas respondem por cerca de um quinto da capacidade de refino chinesa e são as principais compradoras de petróleo sujeito a sanções. Três fontes disseram que alguns tipos de petróleo iraniano, normalmente vendidos com desconto, passaram a ser oferecidos com ágio (valor extra) em relação aos contratos futuros do Brent na ICE. Uma delas citou um aumento de cerca de US$ 2 por barril. A mudança foi abrupta: no início desta semana, cargas do petróleo Iranian Light eram oferecidas com desconto de cerca de US$ 3 por barril, o mesmo nível de um mês antes. O volume de petróleo iraniano mantido em armazenamento flutuante fora da área do bloqueio americano caiu de cerca de 105 milhões de barris antes do restabelecimento da medida para aproximadamente 80 milhões, mostraram dados da Kpler. Duas fontes estimaram que restavam apenas cerca de 30 milhões de barris de petróleo iraniano em águas asiáticas, metade dos níveis habituais. Muyu Xu, analista sênior de petróleo da Kpler, estimou que há 40 milhões de barris de petróleo iraniano em navios em águas da Malásia, a leste de Cingapura, embora a maior parte desse volume já esteja comprometida com compradores. “Isso sugere que os compradores poderão praticamente não ter novos suprimentos iranianos disponíveis para entrega a partir do fim de setembro, já que, até agora, nenhum petroleiro iraniano carregado conseguiu romper o bloqueio dos EUA”, escreveu ela nesta sexta-feira no LinkedIn. Refinaria de petróleo no Irã antes do início da guerra — Foto: Ali Mohammadi/Bloomberg Oferta incerta Diante das incertezas sobre o fornecimento iraniano, uma refinaria independente chinesa comprou nesta semana petróleo do campo brasileiro de Lapa, enquanto outras avaliavam a compra do petróleo Basrah, do Iraque, disseram duas fontes. “Diante da escassa disponibilidade de petróleo iraniano em meio ao bloqueio dos EUA, as refinarias independentes chinesas estão agora buscando alternativas além da Rússia e do Irã”, afirmou Sun Jianan, analista sênior de petróleo da Energy Aspects. As importações chinesas de petróleo iraniano diminuíram em relação ao ano passado após o início, em fevereiro, da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que reduziu as exportações de petróleo do Oriente Médio. Os embarques caíram para 785 mil barris por dia em junho, menor nível desde fevereiro de 2023, segundo dados preliminares da Kpler. As importações provavelmente subiram para 823 mil barris por dia em julho, mas recuaram para 534 mil barris por dia até agora em agosto, mostraram os dados. No ano passado, as compras chinesas de petróleo iraniano ficaram, em média, em 1,4 milhão de barris por dia, segundo a Kpler. Receio de sanções Na quinta-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ameaçou impor ao Irã “as sanções mais duras da história”, cujos detalhes serão divulgados na segunda-feira, numa tentativa de pressionar Teerã a reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar a guerra. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, sai após falar com repórteres na Sala de Imprensa James Brady, na Casa Branca, na quinta-feira, 28 de maio de 2026, em Washington. — Foto: AP/Mark Schiefelbein A ameaça colocou as refinarias independentes chinesas em alerta para a possibilidade de novas sanções direcionadas a compradores específicos, segundo uma fonte de uma dessas empresas. A fonte afirmou, porém, que novas sanções provavelmente não seriam suficientes para reduzir significativamente as compras, observando que refinarias anteriormente sancionadas continuaram processando petróleo iraniano. A China, maior importadora de petróleo do mundo, compra mais de 80% do petróleo iraniano exportado por via marítima, segundo dados de 2025 da Kpler. Pequim afirma rejeitar sanções unilaterais, e um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês disse na quinta-feira que sanções não resolverão o conflito. As exportações de petróleo do Irã despencaram para apenas 100 mil barris por dia em julho de 2019, depois que os Estados Unidos intensificaram a aplicação de sanções e a China suspendeu temporariamente suas compras. Em setembro daquele ano, um devastador ataque com drones atingiu a gigantesca instalação de processamento de petróleo de Abqaiq, na Arábia Saudita, em uma ação que, segundo analistas, demonstrou a capacidade do Irã e de seus aliados de intensificar o confronto quando aumenta a pressão financeira do Ocidente sobre Teerã.