O senador publicou fotos de Lula relacionando-o ao então presidente venezuelano Nicolás Maduro e ao cometimento de crimes após a sua captura Senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência — Foto: Foto Cristiano Mariz/Agência O Globo A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou hoje para que a Polícia Federal (PF) tome o depoimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no caso em que ele é investigado por suposta calúnia ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ambos são pré-candidatos à Presidência. A manifestação da PGR ocorreu após determinação do relator do inquérito, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Ele encaminhou o relatório das investigações ao órgão do Ministério Público depois que a corporação concluiu que Flávio caluniou Lula ao associá-lo a crimes como tráfico de drogas e terrorismo em uma publicação nas redes sociais, feita em fevereiro. O senador publicou fotos de Lula relacionando-o ao então presidente venezuelano Nicolás Maduro e ao cometimento de crimes após a sua captura. Em sua manifestação, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse que, apesar da conclusão da PF, ainda era necessária a oitiva do senador, considerada medida de “especial relevância, sobretudo em razão da possibilidade de retratação, capaz de isentar o investigado de pena”. Sendo assim, Gonet se manifestou pelo retorno dos autos à PF para o depoimento de Flávio e que, após isso, o relatório final das investigações seja devolvido para a sua manifestação. Se o Ministério Público entender que há indícios suficientes, pode denunciar Flávio por calúnia. Investigação A apuração foi aberta por ordem de Moraes em abril, depois de a PF enviar uma representação ao Supremo com a publicação de Flávio. “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”, dizia a publicação do senador. No relatório final do inquérito, a PF concluiu que Flávio imputou falsamente a Lula o cometimento dos crimes de tráfico de drogas, tráfico internacional de arma e lavagem de dinheiro. A corporação afirmou que “fica claro” que “o senador Flávio Bolsonaro, através de sua postagem, imputou falsamente ao presidente Lula o cometimento dos crimes de tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de arma e lavagem de dinheiro, crimes estes expressamente tipificados em nosso ordenamento jurídico”. A corporação também disse que Flávio fez uma “clara menção ao instituto da colaboração premiada”, além de mencionar a prática de crimes, o que poderia configurar calúnia. No decorrer da apuração, Flávio fez uma série de pedidos incomuns à PF. A defesa do senador solicitou, por exemplo, a oitiva de Lula e da opositora venezuelana María Corina Machado; a expedição de ofício a um tribunal dos Estados Unidos para que seja compartilhada a cópia integral do inquérito e da ação que tramita naquele país contra Maduro; os depoimentos dados pelo ex-presidente venezuelano; e que fossem ouvidos um procurador americano, o ex-deputado Deltan Dallagnol e o senador Sergio Moro (PL-PR). As solicitações foram rejeitadas tanto por Antonio Carlos Knoll de Carvalho, delegado responsável pelo caso, quanto por Moraes. O ministro entendeu que os pedidos não eram cabíveis durante a fase de investigação, porque isso poderia representar um direcionamento ou interferência indevidos na condução das apurações. A PF afirmou que os pedidos colaboraram para concluir que o senador foi responsável pela autoria da postagem. “Chega-se facilmente a esta conclusão tanto pelas manifestações públicas em relação à postagem, quanto pela própria defesa apresentada que, com as justificativas alegadas para as diligências solicitadas, reafirma tal autoria”, declarou. Ao se manifestar sobre esse ponto, a PGR disse que os pedidos foram rejeitados com fundamentações com as quais concorda, mas que a discussão sobre o cabimento dessas diligências complementares solicitadas foi superada e ainda permanece a necessidade de Flávio prestar depoimento.