Caso ocorrido em 2024, no Brasil, teve consequências na Copa do Mundo que ameaçam a credibilidade do comitê disciplinar da Fifa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente da Fifa Gianni Infantino exibe o troféu da Copa para o presidente dos EUA Donald Trump — Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 06/07/2026 - 15:32 Fake News de John Textor Envolvem Trump e Fifa em Polêmica no Futebol Uma acusação infundada de manipulação de resultados feita por John Textor, do Botafogo, em 2024, gerou uma fake news que envolveu Donald Trump no caso de Folarin Balogun, jogador dos EUA na Copa do Mundo de 2026. Após a expulsão de Balogun, informações falsas sobre o árbitro Raphael Claus circularam nos EUA, levando Trump a intervir junto à Fifa, resultando na alteração da punição ao atleta. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Como um exemplo clássico de efeito borboleta, uma acusação sem provas feita há dois anos desembocou num episódio que mancha a Copa do Mundo de 2026. Ao procurar a Fifa e pedir a revisão da suspensão do atacante da seleção dos Estados Unidos Folarin Balogun, Donald Trump usou como argumento uma fake news que circulou nos últimos dias no país e que teve origem no Brasil. Após a reivindicação do presidente americano, o comitê disciplinar da Fifa alterou a punição ao atleta, que está liberado para enfrentar a Bélgica, nesta segunda, em Seattle. Ele havia recebido um cartão vermelho na partida da última quarta-feira, contra a Bósnia, pela fase de 16 avos, aplicado pelo brasileiro Raphael Claus. O árbitro se viu no meio de um furacão que mistura informação falsa e interferência externa na Fifa. Logo após a expulsão de Balogun, começou a circular entre a comunidade de futebol dos Estados Unidos a informação de que Claus foi investigado num esquema de manipulação de resultados no Brasil. A informação, que não procede, também foi publicada pela imprensa tradicional americana. "Claus já havia sido investigado pelo governo de seu país natal devido a uma CPI parlamentar de 2024, que o convocou como testemunha em relação a manipulação de resultados e apostas esportivas. Diversos clubes, principalmente o Botafogo, manifestaram preocupação com as decisões de Claus e os supostos padrões de cartões irregulares em partidas da Série A", publicou o jornal New York Post no dia seguinte à partida. Raphael Claus mostra cartão vermelho ao jogador do Estados Unidos Folarin Balogun — Foto: Charlotte Wilson / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP O episódio em questão foi a CPI do Senado que se propôs a investigar um suposto esquema de manipulação de resultados no Campeonato Brasileiro de 2023 denunciado pelo americano John Textor, dono da SAF do Botafogo. Claus de fato chegou a ser convocado para depôr. Procurado pelo GLOBO, o senador Jorge Kajuru (PSB-GO), presidente da comissão, se esquivou de responder se Claus chegou a ser investigado. Já a assessoria do senador Romário (PL-RJ), relator do caso, confirmou que o árbitro não era investigado e fora chamado apenas como testemunha. O depoimento nunca ocorreu, já que o aceite não era obrigado. E a apuração de informações sobre ele se limitou a perguntas feitas ao então chefe da comissão de arbitragem Wilson Seneme, que depôs na comissão. Mas isso não se configura uma investigação. John Textor, administrador da SAF do Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo Ao contrário do que ocorreu na CPI, a denúncias de Textor não ganharam fôlego no Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Isso porque elas careciam de fundamentos sólidos. Sobre Claus, a suspeita levantada pelo dono da SAF do Botafogo era de que fora escalado para atuar ao lado da árbitra de vídeo Daiane Muniz muito mais vezes do que outros. De acordo com o empresário, os dois haviam trabalhado juntos em 12 partidas da Série A de 2023 (na verdade, foram 11) contra apenas três da segunda dupla mais escolhida (na verdade, foram sete). Nem as contradições das insinuações de Textor e nem o esclarecimento de que Claus não foi investigado chegaram na versão que passou a circular em forúns e redes sociais após a expulsão de Balogun e que, por fim, ganharam a imprensa local. E foi esta mesma história que chegou a Scott Goodwin, um gestor de fundos de investimento que é um dos principais doadores da U.S. Soccer, a federação de futebol dos Estados Unidos. De acordo com reportagem do New York Times, foi ele quem levou esta informação (distorcida) para oficiais de Donald Trump. Nesta segunda, o prórpio presidente admitiu ter conversado com Gianni Infantino. Trump tratou Claus como alguém um árbitro suspeito, referindo-se às acusações de Textor. - Tudo o que fiz foi pedir uma revisão, porque não achei que fosse falta. Eu não disse à Fifa o que fazer. O comitê tomou a decisão certa. É injusto excluir um dos melhores jogadores dos EUA - disse Trump. - Esse árbitro é um pouco suspeito. Se você verificar o passado dele… Eu não quero dizer isso, porque não gosto de criar polêmica, mas muito suspeito, como se eu pudesse te mostrar o histórico. Ele fez uma marcação que ninguém conseguiu acreditar, sabe? Até pessoas do outro lado. Em comunicado, Infantino confirmou a conversa com Trump. Mas tentou desvincular a decisão do comitê da influência do presidente americano. "Eu converso regularmente sobre assuntos relacionados à Copa do Mundo da Fifa com o Presidente dos Estados Unidos. E, sobre este assunto, recebi uma ligação do presidente Donald Trump. Assim como recebo ligações de chefes de Estado, autoridades governamentais, representantes do futebol e executivos do mundo dos negócios de diversas partes do mundo sobre muitos assuntos diferentes. Durante nossa conversa, expliquei que havia um processo jurídico em andamento envolvendo os órgãos judiciais independentes da Fifa e que o caso seria decidido no devido tempo pelos órgãos competentes. É assim que o sistema da FIFA funciona, e esse é um princípio que sempre defenderei", diz Infantino em comunicado divulgado pela entidade.