Gianni Infantino afirmou que decisão tomada por órgãos independentes judiciais da entidade Gianni Infantino, presidente da Fifa — Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu nesta segunda-feira a decisão da entidade de suspender o cartão vermelho dado ao atacante americano Folarin Balogun e negou uma interferência política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na revisão do caso. Infantino confirmou que conversou com Trump sobre o assunto em um comunicado publicado no perfil da Fifa no X, publicada depois de o presidente americano ter revelado que havia pedido ao chefe da Fifa para que Balogun fosse autorizado a jogar pelos EUA na partida das oitavas de final da Copa do Mundo contra a Bélgica hoje, às 21h, em Seattle. "Durante nossa conversa, expliquei que havia um processo legal em andamento envolvendo os órgãos judiciais independentes da Fifa e que o caso seria decidido no momento oportuno pelos órgãos competentes. É assim que funciona o sistema da Fifa, e esse é um princípio que sempre defenderei", afirmou Infantino na publicação, acrescentando que dialoga "regularmente" com Trump sobre assuntos relacionados à Copa do Mundo. "Os órgãos judiciais da Fifa são independentes. Eles atuam de forma autônoma, aplicam o Código Disciplinar da Fifa e decidem os casos com base nos regulamentos aplicáveis e nos fatos específicos apresentados. Sua independência é essencial para a credibilidade e a integridade do futebol, e isso deve ser sempre respeitado", completou o presidente da Fifa. A pressão sobre Infantino cresceu após a confirmação de que Trump solicitou a revisão da suspensão de Balogun, expulso pelo árbitro brasileiro Raphael Claus na vitória dos EUA sobre a Bósnia e Herzegovina por 2 a 1, na fase 16 avos de final do torneio. Na Casa Branca, Trump chamou Claus de "suspeito" por ter aplicado o cartão vermelho a Balogun e comemorou a decisão da Fifa, descartando ter influenciado a revisão. "Não disse a eles o que fazer. Não posso dizer a eles o que fazer", afirmou. Trump alegou que Balogun não fez falta e, portanto, não merecia a punição. "Eu vi o lance, e eu sou uma pessoa que adora esportes... Aquilo não foi falta, nem sequer foi uma infração", disse ele. "Esse árbitro, que é um pouco suspeito se você olhar o histórico dele, tomou uma decisão em que ninguém conseguiu acreditar." A medida também foi criticada pela Associação Real Belga de Futebol. Segundo a entidade, a Fifa rejeitou a carta da Bélgica solicitando uma cópia da decisão que tornou Balogun elegível para o confronto entre as seleções dos dois países nas oitavas de final da Copa do Mundo nesta segunda-feira, após considerá-la um recurso inadmissível. A RBFA afirmou que teve “apenas algumas horas” para agir, sem que nenhuma informação tivesse sido fornecida pela Fifa. “Para que um recurso seja admissível, os próprios regulamentos da Fifa estabelecem que a decisão fundamentada deve ter sido comunicada previamente ao recorrente”, escreveu a federação belga em comunicado. “Enquanto a RBFA buscava apenas explicações legítimas, a própria Fifa criou um recurso e imediatamente garantiu que ele fosse declarado inadmissível”. [...] “Tudo isso ocorreu enquanto a Fifa, simultaneamente, se recusava a responder aos pedidos legítimos da RBFA”, acrescentou. A RBFA afirmou ainda que contestará a condição de Balogun para atuar na partida, alegando que a Fifa retirou da apresentação da reunião técnica pré-jogo a seção que previa a suspensão automática de jogadores expulsos e nunca explicou essa mudança, apesar de repetidos questionamentos verbais e por escrito. A Uefa, entidade máxima do futebol europeu, também criticou a decisão. Em um comunicado, a Uefa afirmou que a Fifa havia “cruzado uma linha vermelha” e prejudicado a integridade do esporte. “Expressamos nossa incredulidade diante de uma decisão tão sem precedentes, incompreensível e injustificável”, afirmou.