Pensada para durar poucos dias, a invasão da Ucrânia já ultrapassou em duração a Grande Guerra Patriótica, como o segundo conflito mundial é chamado na Rússia. Após quase quatro anos e meio, a aventura militar de Vladimir Putin vive um ponto crítico.

Desde a desastrosa tentativa de ocupar a região meridional russa de Kursk, as forças de Kiev parecem ter logrado um sucesso estratégico em seu combate assimétrico contra Moscou com uma campanha de ataques ao sistema energético do vizinho.

Após semanas de ação, os efeitos são visíveis. A produção de refinarias russas caiu 25% de maio a junho, enquanto bombardeios a terminais derrubaram as exportações de petróleo cru em 15% no período.

O próprio Putin, que costuma descrever o desenrolar da guerra com lentes róseas, admitiu que o país enfrenta desabastecimento. Em regiões como a Crimeia anexada, o preço da gasolina subiu 30% na última semana, e o governo local decretou estado de emergência.

Filas em postos de combustíveis são vistas da distante Khabarovsk, no Extremo Oriente, até o ponto mais ocidental da Rússia, o exclave europeu de Kaliningrado. O governo admite tanto comprar derivados de petróleo quanto suspender sua exportação. Isso afetaria o Brasil, que tem nos russos a maior fonte do diesel que importa.