Um edifício em estilo colonial, localizado no antigo largo de São Gonçalo (atual praça João Mendes), no centro de São Paulo, abrigava nas primeiras décadas do século 19 a Câmara Municipal, o Fórum e, no andar térreo e no subsolo, a Cadeia Pública. Ali, em meio a ladrões, arruaceiros e escravizados considerados insubordinados, ficavam os chamados "loucos furiosos", enviados por suas famílias ou recolhidos nas ruas pela polícia.
Isso acontecia porque até 14 de maio de 1852 —data em que foi inaugurado o primeiro Hospital de Alienados da Província de São Paulo— não havia local apropriado para receber as pessoas com transtornos psuquiátricos, e a prática era encarcerá-las com os demais detentos.
A Folha teve acesso aos relatórios da Comissão de Visitas da Câmara Municipal, encarregada de fazer inspeções no cárcere entre 1829 e 1841. Nos registros, os membros da comissão apontaram em várias ocasiões a presença desse grupo entre os presos da Cadeia Pública de São Paulo.
Os apontamentos da comissão indicaram que, em maio de 1831, um homem estava sozinho na prisão inferior: "A comissão viu que um preso louco ocupava ele só a prisão inferior logo ao descer da escada", diz o relatório, em sua página 81.











