Locação do premiado filme O Beijo da Mulher-Aranha e reconhecido como sítio de memória e aparato repressivo da ditadura militar – onde, nos anos 1970, estiveram presos o ex-deputado federal José Genoino e a cantora Rita Lee – o prédio do antigo Presídio do Hipódromo, em São Paulo, corre risco de virar poeira.

Em 26 de novembro de 2025, foi solicitado um alvará de execução de demolição a pedido da arquiteta Bruna Santini Cortez, sem qualquer menção à construtora ou incorporadora. O pedido foi indeferido por vício formal sanável em fevereiro, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo havia bloqueado novas licenças de construção e demolição. Em março, foi enviado novo pedido. Com a liberação de emissão de alvarás pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, em abril, a edificação recebeu visitas da Prefeitura e pode vir abaixo a qualquer momento.

Em contrapartida, em 27 de abril, a assessoria da vereadora Amanda Paschoal (PSOL) registrou no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) um requerimento de abertura de processo de tombamento federal com pedido de acautelamento provisório urgente. Entre os dez signatários do requerimento estão o arquiteto e vereador Nabil Bonduki (PT); os ex-presos políticos Maurice Politi, Amelinha Teles, Crimeia de Almeida e Ivan Seixas; a historiadora e pesquisadora Deborah Neves (responsável pelo estudo que levou ao tombamento do DOI-Codi pelo Condephaat) e o chefe da Assessoria Especial Democracia, Memória e Verdade do Ministério dos Direitos Humanos, Hamilton Pereira, também ex-preso político.