Assim que o rangido da porta ecoa no pavilhão, centenas de homens se aglomeram na ponta de suas camas de metal para tentar ver a saída do corredor que separa as celas. Após meses com a mesma dieta, todos apresentam um porte físico parecido. Os cabelos raspados e a vestimenta branca tornam quase impossível a tarefa de diferenciá-los.
É dia de visita no presídio —não de seus familiares ou advogados, proibidos de entrar, mas de jornalistas e influenciadores que participam de um tour guiado pelo governo de Nayib Bukele no Centro de Confinamento do Terrorismo, o Cecot. No fim do ano passado, a Folha passou duas horas no complexo penitenciário que virou uma espécie de cartão postal de El Salvador.
Ao atravessarem a porta dessa prisão, os internos não veem mais o sol. Alimentam-se com as mãos e não recebem travesseiros ou lençóis. Permanecem em celas com dezenas de homens por 23 horas e 30 minutos do dia. Vão ao banheiro na frente uns dos outros e tomam banho em um tanque.
Não há pena perpétua na lei salvadorenha, mas condenações que podem passar os mil anos, amparadas por um estado de exceção em vigor desde 2022, fazem com que os detentos não tenham nenhuma previsão de saída.
Quem entra não sai mais, é o que se ouve a todo momento lá dentro —a única exceção foi uma leva de 252 venezuelanos deportados dos Estados Unidos que foram enviados ao Cecot e, mais tarde, devolvidos a Caracas, bem antes de o ditador Nicolás Maduro ser capturado por Washington nos primeiros dias do ano.










