Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham 12 pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.
Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça –comeremos os quindins que comprei na padaria.
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Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.








