O endereço costuma chegar poucas horas antes da reserva. Em vez de um salão tradicional, o cenário pode ser uma cobertura em Laranjeiras, um casarão em Santa Teresa, um apartamento em Copacabana ou até a laje de um chef francês no Horto. Em comum, menus degustação para poucos e a proposta de transformar o jantar em uma experiência em que a comida divide espaço com conversa, troca e encontro. Assim funcionam os chamados jantares “secretos”, que vêm ganhando força como alternativa aos restaurantes convencionais. Para os chefs, o formato permite liberdade criativa e uma operação mais enxuta. — Queríamos atender poucas pessoas, dar mais atenção e ter um espaço para inventar — resume Allan Mamede, que criou o Salta ao lado de Luiza Soares. Jantares 'secretos': longe de restaurantes, chefs abrem suas casas e outros espaços para experiências intimistas 1 de 14 Salta: Allan Mamede e Luiza Soares recebem até 12 pessoas pór noite em um casarão na Glória — Foto: Alexandre Cassiano 2 de 14 Salta tem menu degustação a R$ 450 e harmonização com coquetéis — Foto: Alexandre Cassiano X de 14 Publicidade 14 fotos 3 de 14 Crudo de dourado com picles de maxixe, farofa de linguiça e laranja sanguínea maçaricada: prato do Salta — Foto: divulgação 4 de 14 Trégua: o casal de chefs Ana Paula Souza e Victor Lima trocou um pequeno balcão em Lanranjeiras por uma cobertura no mesmo bairro, no projeto Telhado — Foto: Caio Oliveira X de 14 Publicidade 5 de 14 Mesa compartilhada no Trégua no Telhado — Foto: Cristiana Beltrão 6 de 14 Gastronomia, artes e música: os jantares do Trégua acontecem no Telhado, espaço multicultural que abriga uma galeria de arte com acervo particular — Foto: Cristiana Beltrão X de 14 Publicidade 7 de 14 Edição do Jantar Misterioso, de Júlia Figueiredo, em uma casa em Santa Teresa — Foto: Divulgação/Marcella Saraceni 8 de 14 Jantar Misterioso: menu vegano de quatro etapas (R$ 220, com sangria de vinho branco) — Foto: divulgação X de 14 Publicidade 9 de 14 Clima descontraído: Jantar Misterioso tem toalha de papel kraft para comensais desenharem e escreverem anotações da noite — Foto: divulgação 10 de 14 Jantar Misterioso: a anfitriã Júlia Figueiredo reúne desconhecidos em torno da mesa em seu apartamento em Copacabana — Foto: divulgação X de 14 Publicidade 11 de 14 The Secret Nomad Cooking: o casal Cris e Nel recebe em seu terraço em Santa Teresa — Foto: divulgação/Franco Salvoni e Maria Navarro 12 de 14 The Secret: jantares acontecem no terraço ou no casarão antigo em Santa Teresa — Foto: divulgação X de 14 Publicidade 13 de 14 Texturas de ceviche com polco e lula à dorê: menu mediterrâneo de influências francesas, orientais e sul-americanas no The Secret — Foto: Divulgação/Franco Salvoni e Maria Navarro 14 de 14 Na laje do chef: Olivier Cozan prepara jantares com receitas francesas em sua casa no Horto — Foto: divulgação X de 14 Publicidade Conheça alguns dos projetos Para Julia Figueiredo, do Jantar Misterioso, a comida é apenas o ponto de partida: — A experiência é conhecer novas pessoas. Entre mesas compartilhadas por desconhecidos, cozinhas abertas e belos cenários, a ideia é trocar o salão dos restaurantes por uma noite em que o anfitrião recebe os clientes quase como quem abre a casa para amigos. E alguns levam o conceito ao pé da letra: mesmo badalados e conhecidos no boca a boca, preferem manter o (semi) anonimato e deixar que os clientes descubram o caminho por si próprios. Salta Com apenas quatro edições realizadas, o projeto surgiu do encontro da nutricionista Luiza Soares, de 31 anos, e do chef Allan Mamede, 28, que se conheceram no reality “Chef de Alto Nível” — do qual ele foi campeão na 1ª temporada. Depois do programa, os dois começaram a trabalhar juntos e decidiram abrir um negócio não tradicional: uma espécie de “chef’s table” que recebe apenas 12 pessoas por noite em um casarão na Glória. O jantar tem menu degustação de seis etapas (R$ 450) que mistura memórias de infância com técnicas contemporâneas e ingredientes brasileiros. Um crudo de dourado com picles de maxixe, farofa de linguiça e laranja sanguínea maçaricada e um bolinho de chuva com ganache de banana, creme inglês e sorvete de baunilha remetem às lembranças de Allan; já a truta defumada com ajo blanco e manteiga noisette faz referência ao antigo pesque-pague da família de Luiza. No menu harmonizado (R$ 600), drinques do mixologista Thiago Teixeira escoltam os pratos. Próximas datas: 25 e 31 de julho. Reservas por WhatsApp (99035-7748). Salta: Allan Mamede e Luiza Soares recebem até 12 pessoas pór noite em um casarão na Glória — Foto: Alexandre Cassiano Trégua Há cerca de um ano, os chefs Victor Lima e Ana Paula Souza trocaram o pequeno balcão em Laranjeiras onde construíram sua cozinha criativa por um novo capítulo. Com a chegada da primeira filha, aceitaram o convite para ocupar o Telhado, uma elegante cobertura no mesmo bairro transformada em galeria de arte particular, onde gastronomia, artes visuais e música dividem o espaço. Com cozinha profissional montada pelo chef Rafa Costa e Silva, do Lasai — onde o casal trabalhou e se conheceu —, os jantares acontecem uma ou duas vezes por semana. O sofisticado menu degustação de seis etapas (R$ 690) muda a cada edição, acompanhando a sazonalidade e os ingredientes garimpados por Victor diretamente com produtores e pescadores. Quase tudo é orgânico, e o percurso costuma passar por frutos do mar, peixe e carne, em receitas como pargo cru com molho de ají amarillo e vinagre de caju ou copa-lombo na brasa com caldo do porco, purê de pastinaca e cenouras. Uma mesa coletiva de madeira reúne até 14 pessoas, além de lugares no balcão voltado para a cozinha aberta. A carta de vinhos e a harmonização (R$ 380) são assinadas por Maíra Freire. Próximas datas: amanhã e dias 10, 24 e 31. Reservas por WhatsApp (3149-2633). Trégua: o casal de chefs Ana Paula Souza e Victor Lima trocou um pequeno balcão em Lanranjeiras por uma cobertura no mesmo bairro, no projeto Telhado — Foto: Caio Oliveira The Secret Nomad Cooking De duas a quatro vezes por semana, a argentina Cristina Sánchez Lázare e o uruguaio Nelson Acosta Garcia recebem até dez pessoas no charmoso terraço de um casarão de 1870 em Santa Teresa, com vista panorâmica da cidade, para um jantar inspirado na culinária mediterrânea, com influências francesas, orientais e sul-americanas. As reservas (e escolha dos pratos) são feitas com pelo menos 12 horas de antecedência, para evitar desperdícios. Por trás do projeto está uma mudança radical de vida. Em 2012, o casal deixou as carreiras em Buenos Aires — Nel como diretor de multinacional do mercado imobiliário e Cris como chef de um importante restaurante italino — para recomeçar no Brasil. Após uma temporada na Ilha Grande, onde recebiam no quintal de casa, eles trouxeram o festejado projeto (por anos bem cotado no Trip Advisor) ao Rio, em 2020. Renovado a cada três meses, o menu (R$ 330) de seis etapas pode incluir receitas como cappuccino de cogumelos com creme de queijo canastra; e polvo confit com batata-baroa ao murro e chimichurri de limão. Bebidas são cobradas à parte, mas quem quiser pode levar seu vinho. Próximas datas: sexta (3), sábado (4), terça (7) e dias 9, 10 e 11 de julho. Reservas por WhatsApp (99344-6311). The Secret Nomad Cooking: o casal Cris e Nel recebe em seu terraço em Santa Teresa — Foto: divulgação/Franco Salvoni e Maria Navarro Jantar Misterioso A comida é o pretexto. Em seu apartamento em Copacabana (depois de passar por outras locações), a cozinheira Julia Figueiredo, de 34 anos, reúne desconhecidos em volta da mesa para um jantar vegano de quatro etapas (R$ 220, com sangria de vinho branco). O objetivo é simples: fazer com que as pessoas conversem. — Por isso, incentivo que venham sozinhas. No início ficava pesquisando para ver se o grupo selecionado se conhecia, agora relaxei um pouco e até permito pares — brinca. Para quebrar o gelo, há cartas com perguntas espalhadas pela mesa, coberta com papel kraft para que os comensais possam desenhar ou escrever lembranças da noite. O ambiente é descontraído — Julia cozinha descalça e faz questão de puxar conversas. Já houve desconhecidos que criaram um grupo depois do encontro, amigas de infância que se reencontraram por acaso e até uma atriz convidada a inventar a própria história durante o jantar, só para ver se os demais descobriam a “impostora”. Com passagem pela cozinha do Lasai, Julia começou o projeto na pandemia, depois de tocar um delivery de comida vegana. O menu muda a cada edição (já foram umas 20), sempre com muitos vegetais — polenta frita com creme de tofu e tartare de cenoura ou risoni ao molho romesco, cogumelos e farofinha de pão são algumas criações —, enquanto o clima de mistério aparece no convite, que pede dress code preto, e no endereço revelado só na véspera. Próximas datas: 23 e 24 de julho. Reservas: Instagram @figjufig. Edição do Jantar Misterioso no apartamento da anfitriã Júlia Figueiredo, em Copacabana — Foto: Divulgação/Marcella Saraceni Laje do Olivier Cozan Depois de décadas à frente de restaurantes no Rio e de uma temporada de seis anos na França, o chef bretão decidiu abrir o terraço da casa onde vive, no Horto, para jantares animados, que funcionam como uma extensão de sua cozinha. — Prefiro trabalhar perto de casa, com estrutura compatível com a minha realidade, do que pagar os aluguéis praticados na cidade — diz. O menu de seis etapas (R$ 335) é preparado com ingredientes franceses e resgata receitas tradicionais que, segundo o chef, são raras no Rio, depois do fechamento de algumas casas especializadas. Entre os clássicos, costumam aparecer foie gras e sobremesas da Maison Fernand, confeitaria da qual Cozan é sócio. Cada mesa pode levar seu vinho para os jantares, que costumam acontecer às quintas e sextas (a partir de 16 de julho), ou fechados para grupos em outras datas. Reservas: 99746-2489. Na laje do chef: Olivier Cozan prepara jantares com receitas francesas em sua casa no Horto — Foto: divulgação
Jantares 'secretos': chefs trocam restaurantes por mesas intimistas em suas casas e espaços alternativos
Entre menus degustação, mesões compartilhados e endereços revelados na última hora, coberturas, lajes e casarões viram palco para noites em que a comida é apenas parte da experiência








