"Aos melhores falta toda convicção, enquanto os piores estão cheios de apaixonada intensidade", dizia um poeta, e às vezes é difícil discordar dele, em especial quando a gente passa mais tempo do que deveria na internet. Para ser mais exato, o que assusta é a tremenda confiança de estar absolutamente certa da parte de gente que parece não saber do que está falando.

Não se trata de simples impressão, ao menos pelo que indica um novo estudo. Mas ele também mostra que a coisa é mais complicada. Ao que parece, quem sofre de autoconfiança generalizada –o popular "tudólogo"– tende a ser justamente o sujeito que mais engole bobagens sem perceber, enquanto a confiança em estar correto sobre temas específicos muitas vezes corresponde aos fatos.

Talvez a coisa soe um pouco contraintuitiva, concordo, mas tentemos compreender juntos o que diz a pesquisa a que me refiro. Publicada recentemente no periódico científico PNAS Nexus, a análise foi liderada por Akshina Banerjee, pesquisadora da Universidade de Michigan em Ann Arbor (EUA), e teve como objetivo justamente separar os dois tipos de confiança (e seus excessos).

Conforme você já deve ter imaginado, investigar o tema pode ajudar a entender a epidemia de desinformação que temos enfrentado. Trabalhos anteriores tinham sugerido que o problema estava na confiança quanto à própria capacidade de discernimento de modo geral. Banerjee e seus colegas formularam experimentos para testar isso com um grupo de cerca de 500 voluntários americanos.