No corredor do segundo andar do Palácio Livadia, cada porta tinha um cartão pregado, que informava em que banheiro e a que horas o ocupante daquele quarto poderia tomar banho. Quem os distribuiu foi Norris Houghton, tenente da reserva da Marinha americana que tinha aprendido a falar mais ou menos russo em uma estadia de cinco meses em Moscou e que por isso tinha sido encarregado de organizar os aposentos da delegação dos Estados Unidos. Eram nove banheiros para cento e um homens e duas mulheres, como relatou anos depois em texto para a revista The New Yorker sobre como tinha sido a Conferência de Yalta. No andar de cima, o mundo do século XX era redesenhado.
O rodízio de banheiros não poupou nem o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt. Era o início de fevereiro de 1945. Roosevelt tinha vindo à Criméia, mais especificamente a Yalta, discutir com Yosef Stalin e Winston Churchill o redesenho de fronteiras e o equilíbrio de poder. A guerra ainda não tinha sido encerrada, mas havia sinais de que o fim estava próximo: o Dia D, em 6 de junho de 1944, havia sido um sucesso; em agosto de 1944, as tropas americanas e britânicas tinham libertado Paris e, em setembro, entraram na Alemanha. Os soviéticos, cuja resistência à invasão da Alemanha tinha sido ponto de inflexão do conflito, haviam reconquistado a Polônia e avançavam também sobre uma parte do território alemão.











