0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bets — Foto: Bruno Peres/Agência Brasil - Bets , Bet RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 15:14 Regulação de apostas no Brasil avança, mas ainda é insuficiente A regulação das apostas no Brasil avança, mas é insuficiente, segundo o economista Flávio Ataliba Barreto. Ele enfatiza a necessidade de limitar a arquitetura das plataformas de jogos online, projetadas para estimular apostas rápidas e impulsivas. Barreto destaca que detalhes como depósitos via Pix e odds piscantes incentivam comportamentos compulsivos, pressionando orçamentos familiares. Outros países, como Reino Unido e Suécia, já discutem controles mais rígidos nas plataformas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A regulação das bets em curso no Brasil representa um avanço, mas ainda é insuficiente para conter o crescimento acelerado do setor que movimenta mensalmente entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões. De um lado, o país se tornou uma potência global nesse mercado. De outro, o aumento das apostas tem pressionado o orçamento das famílias, aprofundado o endividamento, segundo pesquisas, e afetado outros segmentos da economia, como o varejo. O próximo passo que deveria ser dado é regular a arquitetura das próprias plataformas de apostas, diz o economista Flávio Ataliba Barreto, coordenador do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste do FGV Ibre. Segundo ele, esses sistemas são desenhados para retirar a capacidade de decisão dos usuários. Nesse contexto, ressalta, a possibilidade de realizar depósitos por Pix elimina praticamente qualquer intervalo entre o impulso e a aposta. Segundo o economista, não se trata de uma questão de "fraqueza" individual, mas de um modelo concebido para estimular o comportamento de aposta. — Quando você abre uma plataforma de apostas, cada detalhe foi calculado para reduzir o tempo entre o impulso e a ação. Com o depósito via Pix, isso acontece ainda mais rápido. As odds (cotações) piscam para criar a sensação de que a oportunidade está acabando. Quando o jogador quase acerta, o cérebro interpreta essa experiência como uma aproximação da vitória e libera dopamina, aumentando a vontade de continuar apostando. São esses detalhes, combinados com fricções mínimas, que impulsionam o comportamento de aposta — explica. Ataliba reconhece os avanços promovidos pela Secretaria de Prêmios e Apostas, que autorizou o bloqueio de cerca de 50 mil sites ilegais, criou uma plataforma de autoexclusão e responsabilizou operadores por publicidade abusiva feita por influenciadores. No entanto, ele avalia que ainda é um "ponto cego" da regulação o funcionamento interno das plataformas, que é, justamente, o que ajuda a explicar por que tantos usuários continuam apostando mesmo após acumularem perdas sucessivas. Esse tipo de controle já começa a ser discutido e implementado em outros país. No Reino Unido, a autoridade reguladora do setor vem implementando, desde agosto de 2024, verificações graduais de vulnerabilidade financeira para identificar apostadores em dificuldade sem comprometer a experiência da maioria dos usuários. Segundo Ataliba, o modelo ainda está em avaliação e enfrenta resistência da indústria, mas estabelece um princípio importante: regular o comportamento das plataformas em relação aos apostadores. Suécia e Alemanha também adotam limites para depósitos, com períodos obrigatórios de espera para quem deseja elevar esses limites, além de mecanismos de monitoramento do comportamento dos usuários. Já a Austrália discute restrições às apostas ao vivo, diante de evidências de que a velocidade das decisões aumenta os riscos e os danos associados ao jogo. — Nenhuma dessas iniciativas proibiu as apostas. Todas caminham na direção de regular o funcionamento interno das plataformas, e não apenas o produto ou os operadores — afirma o economista.