Poucas coisas assombram mais o Brasil do que o espectro da propriedade. A terra, o sobrenome, a riqueza acumulada: aquilo que garante continuidade para alguns costuma produzir violência e exclusão para outros.

Em "O Dono e o Mal", Bruno Ribeiro transforma esse discernimento em um romance de fôlego raro na literatura brasileira contemporânea.

Ao acompanhar a trajetória da família Santos Assumpção ao longo de décadas, o autor constrói uma saga familiar, um romance histórico e uma narrativa de horror que têm como objeto comum a formação do Brasil.

A trama parte de um gesto simples de transmissão patrimonial. Após a gravidez acidental da adolescente Valéria, filha mais nova da família, de um garoto rico, os poderosos Lucena Neumann oferecem um antigo boteco como forma de resolver o escândalo. A propriedade se transforma no restaurante Recanto Feliz.

Mas o que parece uma negociação privada logo revela algo maior: em "O Dono e o Mal", quase toda herança carrega uma história de violência.