Em uma mansão construída no fim do século XIX, no bairro de San Telmo, em Buenos Aires, vive uma típica família aristocrática portenha, os Núñez-Ortega. Lá também moram as duas empregadas, as imigrantes ucranianas Vira e Olena.

Enquanto lidam com os caprichos e os maus-tratos dos patrões, as jovens experimentam, às escondidas, uma paixão mútua. O equilíbrio cotidiano é ameaçado pela chegada de Taras, irmão de Vira, que passa a morar na casa sem que os donos saibam.

Eis o início da trama de Indócil, primeiro romance da colombiana Laura Ortiz Gómez, que estreou na literatura com a premiada coletânea de contos ­Sofoco, ainda sem tradução para o português.

Taras comete pequenos furtos, transferindo os objetos surrupiados para um rincão oculto da casa. Contestatário e anarquista, o rapaz busca desafiar, a seu modo, a ordem dominante.

No início do novo século, quando as famílias ricas começaram a deixar o bairro e uma nova leva de imigrantes chegou à Argentina, os casarões de San Telmo tornaram-se cortiços.