Diante das derrotas, o narcisismo de Donald Trump não permite outra reação senão minimizá-las. Foi o que se viu esta semana, logo após a Suprema Corte confirmar o direito à cidadania para "todos os nascidos ou naturalizados nos Estados Unidos", conforme inscrito na 14ª Emenda da Constituição. Ele criticou a decisão e disse que não precisa de emenda alguma. Quer resolver a parada no Congresso.
A reação chega a ser patética. Ainda que a Suprema Corte tenha oferecido seguidas vitórias ao presidente no seu atual mandato, a derrota de terça-feira (30) foi histórica e exemplar. Os magistrados formaram maioria para defender uma baliza constitucional que, de fato, remete ao que significa ser americano. Isso, às vésperas da celebração dos 250 anos de independência dos EUA.
O placar de julgamento, 6 a 3, também não pode ser minimizado. Quem leu o voto vencedor foi o presidente do tribunal, John Roberts. Foi seguido pelas três juízas progressistas, Sonia Sotomayor, Elena Kagan e Ketanji Brown Jackson, e por dois conservadores, Brett Kavanaugh e Amy Coney Barrett. Esta, indicada por Trump para a corte e apoiada pelo Maga, deve ter descido aos infernos como traidora.
Votaram pelo fim da cidadania por jus soli (direito do solo) Neil Gorsuch, Samuel Alito e Clarence Thomas. Alito condenou os "turistas do parto", e Thomas, lamentavelmente, mostrou mais uma vez o que não se espera de um juiz negro num país de matriz escravocrata.












