É bem-vinda colaboração americana no combate a facções criminosas. Risco são medidas arbitrárias 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pichação de facção criminosa em Paraty, na Costa Verde Fluminense — Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo/24/01/2026 No fim de maio, o Departamento de Estado americano anunciou que as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) seriam classificadas como organizações terroristas a partir de 5 de junho. Menos de um mês depois da entrada em vigor da medida, o Departamento do Tesouro impôs sanções financeiras a dois cidadãos brasileiros e três empresas instaladas aqui, sob suspeita de ligação com o PCC. O governo americano acusa o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada de liderar uma estrutura de lavagem de dinheiro com atuação nos Estados Unidos que movimentou mais de US$ 30 milhões de origem ilícita e de usar criptomoedas para transferir fundos ao PCC no Brasil. Sua secretária Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira é acusada de atuar como intermediária na coleta do dinheiro. É bem-vinda a colaboração prestada por autoridades americanas no combate às facções criminosas brasileiras. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva já pediu ao americano Donald Trump ajuda para desbaratar esquemas de lavagem de dinheiro oriundo de fraudes tributárias. Em dezembro, Shimada e Stella foram denunciados na Justiça da Flórida sob a acusação de participar de esquema de lavagem de dinheiro proveniente da venda de drogas. A denúncia, porém, não menciona vínculo com o PCC. Para as autoridades brasileiras, a ligação é novidade. Por aqui, a folha corrida de Shimada inclui uma condenação por fraude eletrônica e lavagem de dinheiro contra o Banco Votorantim e uma denúncia em caso que investiga contrato entre o Corinthians e uma empresa de apostas. O Departamento do Tesouro não apresentou as provas do elo com o PCC. Mesmo que confirmado, os valores revelados até o momento parecem representar parte ínfima dos recursos lavados pelo PCC, envolvido em esquemas bilionários de empresas de ônibus, adulteração e venda de combustível e diversas outras atividades ilegais além do narcotráfico. É provável que o governo americano inclua nas próximas semanas e meses novos nomes na lista dos cidadãos e empresas brasileiras sujeitos a sanções financeiras. Embora, até o momento, o caso envolva cifras menores, ele é um prenúncio dos efeitos da classificação do PCC e do CV como grupos terroristas. Empresas que têm Shimada como sócio, três no Brasil e uma em Portugal, também foram alvo das sanções. Seus bens nos Estados Unidos ou sob a posse de cidadãos americanos podem ser bloqueados. Mais grave: instituições financeiras que mantiveram negócios com essas empresas de Shimada poderão sofrer punições. O risco desse tipo de medida é o abuso. Alguém com o perfil errático de Trump pode querer usá-la de forma indiscriminada contra bancos brasileiros. É fato que as instituições financeiras com sede no Brasil precisam melhorar a análise de seus clientes e adotar políticas mais restritivas para evitar ser contaminadas por atividades ilegais — do narcotráfico ao desmatamento. Houve nítida evolução entre os bancos brasileiros na conformidade com leis americanas relativas à corrupção. Não há razão para que não consigam se adaptar também às que dizem respeito aos grupos terroristas. Deve-se, porém, lembrar que nenhuma empresa, estatal ou privada, tem poder de investigação comparável ao de um governo, muito menos o americano.
Sanção contra brasileiros desperta preocupação
É bem-vinda colaboração americana no combate a facções criminosas. Risco são medidas arbitrárias













