O fim da guerra entre Estados Unidos e Irã tende a trazer menos incertezas para o mercado. Mesmo assim, os analistas continuam com um viés mais conservador na hora de escolher as melhores ações para julho. O segmento financeiro segue tendo o maior número de representantes na Carteira Valor. As exportadoras também continuam com forte apelo e podem ganhar mais força em um cenário geopolítico menos adverso. No geral, analistas priorizaram ações que apresentaram não só bons resultados, mas também perspectivas positivas para os próximos trimestres. Na passagem de junho para julho, apenas duas ações mudaram na seleção: saíram os papéis das Lojas Renner para a entrada da seguradora Porto, com três indicações, e o BTG Pactual deu espaço a outra companhia do segmento financeiro, o Bradesco, que foi apontado por duas corretoras. O setor financeiro é considerado um dos menos arriscados da bolsa, já que suas companhias são sólidas e resilientes e tendem a ir bem em diferentes cenários. Além da Porto e do Bradesco, a lista contou ainda com a participação das ações do Itaú Unibanco e da Itaúsa (holding dona do banco), que permaneceram na seleção apontadas por seis e três casas, respectivamente. A liderança da Carteira Valor, contudo, continua com a Vale, indicada por oito corretoras. Além dela, outras exportadoras que seguiram na lista foram a Embraer, indicada por quatro participantes, e a Petrobras, apontada por duas corretoras. A distribuidora de combustíveis Vibra também continuou na seleção, com três indicações. Por fim, quem fecha a seleção é a companhia de energia Copel, escolhida por seis casas e a rede de hospitais Rede D’Or, com três indicações. De um modo geral, analistas escolheram ações de setores melhor posicionados em períodos incertos e companhias que apresentaram não só bons balanços no primeiro trimestre, mas também perspectivas positivas para as próximas divulgações de resultados. Entenda a Carteira Valor A seleção da Carteira Valor ocorre por meio das dez ações mais recomendadas pelas 16 corretoras e casas de análise participantes. Cada instituição sugere cinco papéis para a formação do ranking mensal. Em caso de empate, prevalecem as ações com maior volume financeiro médio negociado na bolsa nos últimos 90 pregões. O desempenho da carteira é calculado pela variação média simples dos papéis a cada mês, sem diferenciação de peso entre os ativos. As participantes que integram atualmente a Carteira Valor são: Ágora, Andbank, Ativa, Banco Daycoval, BB Investimentos, Benndorf Research, CM Capital, Empiricus Research, Genial, Monte Bravo, Nova Futura, Planner, Safra, Santander, Terra Investimentos e XP Investimentos. Carteira Valor x Ibovespa Em maio, a Carteira Valor subiu 1,64% em junho, enquanto o Ibovespa registrou queda de 1,01%. No ano, a carteira acumula alta de 3,75%, contra uma alta de 6,76% do principal índice da bolsa. Em 12 meses, a seleção sobe 16,60%, ante 23,89% do Ibovespa. Veja abaixo as ações indicadas para a Carteira Valor de julho Vale Para os analistas do Santander, os preços do minério de ferro devem permanecer acima de US$ 100 por tonelada, impulsionados principalmente pelos elevados níveis de exaustão das minas e uma demanda resiliente da China e de outros mercados. Esse cenário deve favorecer as receitas da Vale. “Esperamos que o minério de ferro se beneficie de custos globais de produção mais elevados e de fortes investimentos em infraestrutura”, afirmam os analistas em nota. “A Vale é a nossa principal escolha do setor de siderurgia e mineração por conta da nossa preferência por minério de ferro ante aço. Além disso, vemos a companhia negociando a um preço ainda razoável para 2026”, complementam. Itaú Uma das principais razões para o Itaú Unibanco ser a principal recomendação da Ágora no setor bancário é a entrega o maior retorno sobre o patrimônio (ROE) entre seus pares. O ROE mede o quanto uma empresa é capaz de entregar de retorno para cada real investido em sua atividade. Portanto, os 24,8% de ROE entregues pelo Itaú no primeiro trimestre representam um valor maior do que o investidor consegue ter, por exemplo, aplicando em título de renda fixa. Segundo a corretora, a combinação de crescimento seletivo de carteira, controle de inadimplência e disciplina de custos sustenta a expansão de lucro mesmo em ciclos econômicos mais desafiadores faz com que as ações tenham atratividade. Além disso, eles reforçam que “o excesso de capital abre espaço para dividendos extraordinários, ampliando o retorno total ao acionista”, o que também ajuda a manter a forte demanda pelos papéis da empresa. Copel Segundo os analistas da Ágora, os resultados do primeiro trimestre de 2026 da Copel reforçaram a previsibilidade operacional da companhia e a resiliência de seus principais segmentos. “Mesmo após a alta acumulada das ações no ano, estimamos que a ação ainda oferece um bom retorno potencial, combinado a uma expectativa de retorno via dividendos”, afirmam os analistas em nota. Segundo os especialistas, a empresa segue bem posicionada, com balanço saudável, trajetória de crescimento consistente e capacidade reforçada de execução. Por isso, ela permanece entre os nomes mais atrativos do setor no longo prazo. Embraer Fernando Bresciani, analista do Andbank, afirma que a Embraer reportou um primeiro trimestre misto, com forte crescimento de receita e entregas, impulsionado pela divisão de Defesa, mas com rentabilidade abaixo do esperado devido a pressões de custos e impactos tarifários. Ele afirma, contudo, que apesar da queima de caixa no trimestre e do aumento da dívida líquida, a empresa manteve perspectivas positivas para 2026. Bresciani afirma que a companhia espera uma melhora operacional, avanço na cadeia de suprimentos e maior rentabilidade ao longo do ano, o que pode trazer um movimento positivo no futuro. Ele desta, ainda, que a ação está muito descontada (ou seja, sendo negociada a preços mais baixos do que deveria dados os seus números), portanto há um forte potencial de alta. Itaúsa Regis Chinchila, analista da Terra Investimentos, afirma que a Itaúsa combina uma exposição ao sólido desempenho do Itaú Unibanco com diversificação em ativos industriais e de infraestrutura. “A continuidade dos lucros elevados do banco, somada ao desconto histórico em relação ao valor patrimonial e ao elevado dividend yield (indicador que mede a rentabilidade de uma ação com base na distribuição de proventos), mantém a ação da Itaúsa atrativa para investidores de longo prazo”, afirma. Rede D’or Bresciani, do Andbank, afirma que a Rede D'Or apresentou resultados em linha com o esperado no primeiro trimestre, com crescimento sólido da receita e do ebitda (sigla para Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, em inglês). Ele destaca que o resultado foi impulsionado pelos segmentos hospitalar e de seguros, com destaque positivo para a SulAmérica. Ele afirma, contudo, que apesar da expansão operacional, o lucro líquido ajustado ficou abaixo do esperado devido a maiores despesas financeiras e impostos mais altos. Por fim, Bresciani destaca que o trimestre também mostrou melhora da alavancagem, crescimento em oncologia e avanço dos ganhos de escala, o que mantém uma perspectiva positiva para a companhia. Para ele, o papel da Rede D’or também está sendo negociado a preços menores do que o que seria considerado justo a partir de seus números. Vibra Segundo os analistas da Ágora, a Vibra Energia apresentou um resultado resiliente no primeiro trimestre deste ano, com uma melhora relevante de rentabilidade e forte geração de caixa, mesmo em um ambiente volátil. Para os especialistas, isso reforça a tese estrutural da companhia: execução consistente, geração de caixa e desalavancagem em curso, com retorno sobre capital investido em patamar elevado. “Embora parte do ganho de margem reflita fatores conjunturais, como a volatilidade internacional dos preços do petróleo, há sinais claros de fundamentos mais resilientes, apoiados pela agenda de combate à informalidade, escala e eficiência operacional”, afirma a casa. Porto Segundo Cauê Pinheiro, do Safra, a Porto vem continuamente apresentando resultados fortes, com crescimento no negócio principal, de Seguro Auto, mas também em outras frentes, como a Porto Saúde e a PortoBank. “A rentabilidade elevada, com controle da sinistralidade e o valuation (avaliação do preço da ação em relação aos fundamentos da empresa) atrativo nos deixam confortáveis com a alocação”, afirma. Petrobras Segundo Rodolfo Amstalden, presidente da Empiricus, a escolha das ações da Petrobras para o mês de julho baseia-se na manutenção de fatores estruturais que favorecem empresas ligadas às commodities. Ele afirma, ainda, que a ação está barata em relação à capacidade de gerar caixa e as commodities, como o petróleo, podem proteger a carteira em cenários de inflação, perda de valor da moeda e outros desequilíbrios econômicos. Bradesco Mario Mariante, analista-chefe da Planner Investimentos, afirma que o Bradesco tem conseguido bons resultados com melhora da rentabilidade. Para ele, o crescimento de 16% do lucro líquido da empresa no primeiro trimestre reflete o seu processo de reestruturação operacional com expansão da margem financeira e alta consistente de receitas. “Para 2026, as projeções do banco sustentam uma visão construtiva, com crescimento da carteira de 9,5%”, destaca.