Vulnerabilidades no funcionamento das juntas comerciais têm facilitado a prática de fraudes e aberto caminho à atuação do crime organizado no setor empresarial. São problemas que vão do funcionamento dos órgãos ao conjunto de leis que os regulamenta.

O controle exercido é considerado insuficiente por especialistas e investigadores. As deficiências são notadas, por exemplo, na abertura de empresas de fachada que acabam usadas em esquemas de lavagem de dinheiro, além de alterações societárias fraudulentas e patrimônio inflado sem comprovação de origem.

Cada estado tem a sua junta, e todas são subordinadas ao Drei (Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração), do governo federal. O órgão diz que prepara uma padronização nacional dos cadastros empresariais (leia mais abaixo).

Duas operações recentes ilustram o problema do setor. Uma contra a advogada e influenciadora Deolane Bezerra e outra envolvendo o vereador de São Paulo Senival Moura. Por diferentes circunstâncias, ambos foram presos sob suspeita de lavar dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Contra Deolane, uma das inconsistências que o Ministério Público e a Polícia Civil disseram ter descoberto envolve a abertura de 35 empresas —todas de fachada, segundo as investigações— num endereço em Martinópolis, no interior de São Paulo, onde havia uma casa popular. Ela diz ser inocente.