* Por Lígia Lopes

Quando se fala em onboarding financeiro, a conversa costuma girar em torno de compliance, autenticação e prevenção a fraudes. Mas existe uma discussão menos explorada e potencialmente mais estratégica: o que as instituições deixam de ganhar quando tratam o cadastro apenas como uma obrigação regulatória?

A maior parte dos processos de abertura de conta foi desenhada para resolver um objetivo específico: confirmar a identidade de quem está entrando no sistema financeiro. Durante anos, isso foi suficiente. Hoje, porém, essa lógica parece limitada diante da quantidade de dados e tecnologias disponíveis.

O onboarding é um dos raros momentos em que o cliente está totalmente engajado com a instituição. Ele dedica atenção ao processo, fornece informações, concede consentimentos e demonstra interesse ativo em iniciar um relacionamento. Ainda assim, muitas empresas utilizam essa oportunidade apenas para validar documentos e coletar dados mínimos obrigatórios. O resultado é um desperdício de potencial.

Ao final de inúmeros processos, a instituição sabe pouco mais do que nome, CPF e informações básicas de contato. Em um mercado cada vez mais competitivo, isso significa abrir mão de uma fonte valiosa de inteligência que poderia orientar decisões de negócio muito além da prevenção à fraude.