Se para um diretor da multinacional a mudança da escala de trabalho representa uma planilha de riscos e readequação de compliance, para o empreendedor que está na trincheira ela é uma questão de sobrevivência diária. Operar um negócio em fase de tração com capital limitado significa que cada hora de trabalho conta diretamente para a entrega do produto ou o atendimento do cliente. O grande receio de quem comanda startups, assim como PMEs, é que a redução de dias trabalhados aumente o burn rate (velocidade de queima de caixa) devido à necessidade teórica de inflar o time para manter as portas abertas.

No entanto, temos que ser sinceros: o atual arranjo da escala de trabalho no Brasil está saturado. O cansaço crônico do time gera um ciclo destrutivo de turnover (rotatividade de pessoal), erros operacionais que comprometem a experiência do cliente e gargalos de produtividade. O consenso pela mudança, inclusive, já existe no ecossistema de negócios. O foco dos fundadores, portanto, deve ser entender a mecânica operacional da transição para transformá-la em uma vantagem competitiva real perante o mercado.

Desmistificando o impacto operacional

Devemos ficar atentos aos ruídos ou mesmo ideias “rasas”, uma vez que muitos dos receios espalhados no ecossistema empreendedor baseiam-se em suposições que os dados internacionais e o histórico das reformas trabalhistas no Brasil já desmentiram, como apresentado a seguir: