Brasileiros são suspeitos de atuar em parceria com outros membros sediados na Flórida e que teriam operado em 12 Estados americanos Gene Lange: presença crescente da geração de receitas ilícitas do PCC nos EUA — Foto: Reprodução Menos de um mês após a entrada em vigor da decisão dos EUA de classificar a duas maiores facções criminosas brasileiras como entidades terroristas internacionais, o governo Donald Trump anunciou sanções a dois cidadãos brasileiros e a três empresas do país suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), ajudando a facção a lavar dinheiro em diversos países e também em Estados americanos. “A ação foi mais um passo do governo dos Estados Unidos para enfrentar e reconhecer a crescente presença da geração de receitas ilícitas do PCC dentro de nossas fronteiras”, disse Gene Lange, que está exercendo as funções de subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira. Os alvos das sanções são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. A dupla seria o braço localizado em São Paulo e que atuaria na lavagem de dinheiro nos EUA. O outro braço estaria na Flórida e, em janeiro, o FBI prendeu seis brasileiros que estariam na mesma operação - eles têm audiência marcada na Justiça americana para agosto e podem pegar até 20 anos de prisão, assim como Shimada e Stella. Esse grupo de brasileiros que vive na Flórida, além de Shimada e Stella, foi acusado no fim do ano passado de operar um esquema de lavagem de dinheiro que teria começado a operar pelo menos desde dezembro de 2022 e que teria atuação em 12 Estados dos EUA: Flórida, Nova York, Illinois, Ohio, Geórgia, Minnesota, Califórnia, Colorado, Texas, Washington, Kansas e Carolina do Norte. Nesse “esquema sofisticado de lavagem de dinheiro”, teriam sido ocultados US$ 30 milhões obtidos com a venda de drogas e que foram depositados em diversos bancos pelos EUA. Segundo o governo americano, Shimada, também conhecido como JP ou Japa, mora em São Paulo é um elo fundamental entre os integrantes do PCC na Flórida e traficantes de drogas estrangeiros. Ainda de acordo com o Departamento de Tesouro dos EUA, Shimada e sua organização lavaram mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em diversas cidades americanas, utilizando criptomoedas para transferir os fundos de volta ao Brasil em nome do PCC. Shimada também esteve envolvido em outros crimes financeiros, além da lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas, de acordo com as autoridades americanas, que citam que ele ficou em prisão domiciliar no começo de 2025 porque uma de suas empresas foi acusada de lavar dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro - ele já foi denunciado no ano passado pelo caso envolvendo o patrocínio ao Corinthians e a casa de apostas VaideBet. Esquema de ao menos US$ 30 milhões teria início no fim de 2022 e usaria tanto bancos nos EUA como criptomoeda Shimada é acusado de “ter fornecido - ou tentado fornecer - apoio financeiro, material ou tecnológico, ou bens ou serviços em apoio ao PCC”. Stella, sempre segundo o governo, é uma colaboradora próxima e parente de Shimada. Ela, que também seria conhecida como Prima e Lara Croft, atuou como sua secretária e teria servido como “intermediária na coleta de grandes quantias de dinheiro em espécie, prestando serviços logísticos fundamentais que deram suporte a Shimada e à sua rede em operações de lavagem de dinheiro”. As companhias que são alvo das sanções são Victory Trading, a Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda (Pixwave) e a Wave Construções Inteligentes Ltda (Wave), todas sediadas em São Paulo. Agora, os bens de Shimada e Stella que estão nos Estados Unidos ou na posse ou controle de pessoas dos EUA são bloqueados e devem ser comunicados ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês) do Tesouro americano. “Além disso, quaisquer entidades que sejam detidas, direta ou indiretamente, individualmente ou em conjunto, 50% ou mais por uma ou mais pessoas bloqueadas também são bloqueadas”, diz o Tesouro dos EUA. O governo dos Estados Unidos anunciou no fim de maio que classificaria Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas globais. A medida entrou em vigor em 5 de junho. Saiba Mais Brasil responde aos EUA sobre tarifas e diz que investigação não provou risco do Pix a empresas americanas
Grupo acusado de lavar dinheiro para PCC teria atuado em ao menos 12 Estados americanos
Brasileiros são suspeitos de atuar em parceria com outros membros sediados na Flórida e que teriam operado em 12 Estados americanos











