Grupo de países nos arredores do Golfo Pérsico se deu conta de que os EUA não os protegem e resolveu fazer arranjos próprios 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Iate navega em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos — Foto: FADEL SENNA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/07/2026 - 21:51 Países do Golfo e aliados formam "terceira via" por estabilidade regional Um grupo de países do Golfo Pérsico, incluindo Arábia Saudita, Catar e Egito, junto com Turquia e Paquistão, está formando uma "terceira via" no Oriente Médio, buscando estabilidade regional e distanciando-se das políticas agressivas de Irã e Israel. Desconfiados da proteção dos EUA sob Trump, esses países buscam fortalecer laços militares entre si, enquanto o Líbano enfrenta tensões internas sobre aderir a essa nova aliança. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A terceira via do Oriente Médio volta a ganhar força e busca se expandir para além do Golfo Pérsico. É composta por um grupo de países defensores de uma maior estabilidade regional e contrários às políticas mais agressivas e bélicas do Irã e de Israel, conforme escrevi recentemente na minha newsletter no GLOBO. Todos são aliados dos EUA, mas passaram a avaliar que não dá para confiar no governo de Donald Trump. Ao lançar a guerra, o presidente americano levou em consideração os interesses israelenses. Para acabar com o conflito, faz concessões aos interesses iranianos. Já os dessas nações pouco são considerados por Washington. A Arábia Saudita, o Catar e o Egito integram este grupo ao lado de duas potências regionais que não são árabes — Turquia e Paquistão. Portanto, seria uma aliança que vai além da Liga Árabe, hoje extremamente dividida na forma sobre como lidar com Israel e o Irã. Os Emirados Árabes e o Bahrein, por exemplo, deram uma guinada em direção a Israel, com quem estabeleceram relações diplomáticas dentro do contexto dos Acordos de Abraão. Nenhum país está totalmente aliado do Irã, mas o Iraque e, em menor escala, Omã mantêm proximidade e coordenação em algumas áreas. Diante de uma enorme incerteza sobre o futuro não apenas com a guerra dos EUA e Israel contra o Irã, mas também com todos os eventos tectônicos desde os atentados terroristas do Hamas em outubro de 2023, era natural que os países começassem a se mover no tabuleiro. O comportamento de Trump e de Benjamin Netanyahu ao atacarem o Irã sem levarem em consideração os efeitos catastróficos da ofensiva fez com que estas nações deixassem de confiar em Washington. Já a forma agressiva como o regime iraniano respondeu atacando países do Golfo também demonstrou não ser possível confiar em Teerã. No meio deste confronto e no papel de defensores de uma maior estabilidade regional, a única alternativa para estes países era estreitar as relações militares entre eles. Nenhuma destas nações pretende romper com os EUA. Os americanos ainda são a grande potência global. Mas Trump parece ser incapaz de conter Israel e Irã. Portanto, essa mobilização visa adicionar mais uma camada na estratégia de segurança destas nações. A presença do Paquistão fortalece o grupo por ser uma potência nuclear — ao mesmo tempo, vemos a aproximação da Índia de Narendra Modi com Israel de Netanyahu. Já a Turquia integra a Otan e tem uma das mais poderosas Forças Armadas da região. O Egito, que tem acordo de paz com Israel e depende de ajuda militar bilionária dos EUA, demonstra insatisfação com avanços israelenses contra os palestinos em Gaza e na Cisjordânia. A Jordânia, embora formalmente evite integrar esta nova aliança da terceira via, deixa clara a sua insatisfação com o radicalismo do governo de Netanyahu contra os palestinos. A Síria, na era pós-Assad, naturalmente é anti-Irã, mas viu a ocupação israelense do território sírio se expandir ainda mais, indo bem além das Colinas do Golã. Agora quer também ir para a terceira via. O Líbano está no centro da disputa. O governo do presidente Joseph Aoun e do premier Nawaf Salam assinou um acordo com Israel que para algumas nações da região significa uma capitulação. Ao mesmo tempo, o Hezbollah segue como força avançada de Teerã no território libanês. Mas há um movimento na política libanesa que quer levar Beirute para essa terceira via, evitando tanto o Irã quanto Israel.