Piora nos indicadores ocorre em momento de aceleração do crédito por parte dessas instituições, mas é liderada por crédito rural; índice de inadimplência dos bancos públicos, porém, segue abaixo da média geral 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Principais instituições financeiras federais estão lidando com aumento nos calotes, enquanto aceleram oferta de crédito — Foto: Montagem/Arquivo O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/07/2026 - 11:05 Inadimplência em Bancos Públicos Cresce com Crédito Rural em Foco Os calotes em bancos públicos estão crescendo mais rapidamente, impulsionados principalmente pelo crédito rural. A inadimplência nessas instituições subiu de 3% para 4,3% em um ano, ainda abaixo da média geral de 4,7%. O Banco do Brasil é particularmente afetado devido à alta inadimplência no setor agropecuário. Enquanto isso, os bancos privados apresentam níveis de calote superiores. O governo discute soluções para renegociar dívidas rurais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os bancos públicos lideram o crescimento da inadimplência ao longo dos últimos meses, ainda que estejam abaixo da média geral de 4,7% do total de operações. Os dados do Banco Central mostram que ao longo de um ano, os calotes nos empréstimos das instituições financeiras sob controle governamental passaram de 3% para 4,3% em maio passado. Enquanto isso, no setor privado, o crédito teve índice de calote subindo de 4,3% para 5,1% entre os nacionais e de 3,8% para 4,7% entre os bancos controlados por estrangeiros, que têm uma fatia menor do crédito. O movimento reflete alguns fenômenos já conhecidos, como a onda de calotes no setor agropecuário, que afeta muito mais o Banco do Brasil, o principal operador do segmento. Segundo o BC, a inadimplência no crédito rural direcionado para pessoas físicas mais que dobrou em 12 meses, para 7,6%, caso que fica mais dramático no grupo de operações com taxas de mercado, no qual passam de 5,5% em maio do ano passado para 13,4% de não pagamentos. O governo e a bancada ruralista discutem nesse momento um programa de renegociação de dívidas do setor. Mesmo com a situação específica do segmento rural, os dados indicam estar havendo perda de qualidade nas concessões de financiamento, especialmente para pessoas físicas, sinal que fica reforçado pelo aumento mais intenso das provisões para risco de perda – o dinheiro que os bancos têm que reservar para se proteger dos calotes, que seguem regras definidas pelo Banco Central. A nota não detalha os dados por bancos, mas abre especificamente os números de crédito do BNDES, inclusive de inadimplência. Embora bem melhores que a média geral, tanto comparando com públicos como privados, a instituição de fomento viu dobrar sua taxa de inadimplências nas operações com pessoas físicas, para 2,6%. Com as empresas, onde se concentram a maior parte dos seus financiamentos, há uma estabilidade no indicador: 0,8% apenas de calote. A piora nos índices das instituições públicas ocorre em um momento de aceleração do crédito induzido pelo governo. Nesse ano, os financiamentos desse grupo cresceram 3,1%, ante 2,3% entre os privados nacionais e queda de 0,2% entre os estrangeiros. No acumulado em 12 meses, as instituições sob controle particular ainda crescem mais rápido do que as públicas, mas isso tem que ser ponderado pelo fato de que atualmente parte das políticas de direcionamento de empréstimo do governo envolvem bancos privados, diferentemente do passado em que o estímulo era feito usando muito mais os públicos. Isso fica mais claro quando se olha os dados do crédito direcionado, que é aquele concedido sob regras do governo, mesmo quando repassado por banco privado. Nesse caso, o saldo cresceu 13,1% nos últimos 12 meses e 4,4% no ano, enquanto o crédito livre, que obedece mais a lógica da política de juros do Banco Central, teve expansão de apenas 6,9% em 12 meses e de 0,7% no acumulado do ano. Anunciado nessa semana, o novo Desenrola Adimplentes pode acabar reforçando a tendência de expansão mais acelerada dos bancos públicos neste ano, já que os bancos privados não vinham demonstrando apetite pela ideia mesmo quando se falava de juros de 3,5% para substituir operações com taxas superiores a 7% no crédito pessoal não consignado. Com a definição de juro de 1,99%, porém, a percepção é de que os bancos públicos, por ordem do governo, é que devem ter mais apetite para fazer essas renegociações, trocando uma rentabilidade maior por operações com juro baixo e garantidas por fundo garantidor.