0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bancos projetam piora na inadimplência no terceiro trimestre — Foto: Pedro Teixeira/Agência O Globo Os bancos estão prevendo que a inadimplência continuará piorando no terceiro trimestre, apesar da realização do Desenrola. O programa do governo federal focou nos públicos mais fragilizados, pessoas de renda mais baixa, com dívidas mais caras, como cheque especial e rotativo do cartão de crédito, que estrangulam a vida financeira de qualquer um. O que o Desenrola propôs foi que esse grupo conseguisse renegociar seus débitos com desconto e trocar dívidas caras por um crédito mais barato. Alguns aproveitaram a oportunidade e quitaram suas dívidas, mas há quem continue endividado, sem estar inadimplente. Para esse grupo, foi implementado recentemente um novo programa, também com o objetivo de trocar dívidas caras por outras mais baratas e mais pagáveis. De qualquer maneira, o ambiente econômico permanece o mesmo. O que as instituições veem à frente, no terceiro trimestre, é uma deterioração da qualidade do crédito, mas com uma desaceleração da piora em relação aos três meses anteriores. E, para além do conjunto de indivíduos endividados, há as empresas. Só no varejo, os pedidos de recuperação judicial cresceram 20%. E por que a situação continua ruim? Porque a taxa de juros, apesar das últimas reduções, continua em patamar muito elevado, o que cria dificuldades para empresas e pessoas, principalmente as de renda mais baixa, pagarem suas dívidas. Pode-se perguntar: mas isso é culpa do Banco Central? Não. O Banco Central faz a política monetária com a missão de manter a inflação baixa, dentro da meta, que é de 3%. A autoridade monetária não pode reduzir a taxa de juros porque há muita inadimplência. É preciso que o BC dê continuidade à sua política, pois, quanto mais conseguir baixar a inflação, mais fácil será para as famílias endividadas terem recursos para pagar suas dívidas. Esses programas de renegociação de dívidas devem continuar. E não estou dizendo que o governo deve fazer um Desenrola 3.0, mas que as instituições financeiras podem e devem oferecer aos clientes endividados alternativas para trocar uma dívida cara por uma mais barata. A inadimplência é ruim para as pessoas e para as empresas, mas também não é boa para as instituições financeiras, que precisam provisionar recursos em seus balanços para cobrir o risco de não pagamento. Por isso, defendo que a renegociação deveria ser uma política permanente dos bancos. O Banco Central tem reduzido a taxa de juros em um ritmo muito pequeno, e há razões para que continue sendo cauteloso. A situação internacional está muito instável e ainda estamos em um período eleitoral, que é sempre mais desafiador, com muitas tensões e incertezas. A perspectiva é de novas quedas na Selic se a inflação continuar mostrando alívio. Nesse cenário, os bancos devem continuar olhando para suas carteiras de clientes e chamando todos para conversar quando identificarem alguém endividado ou inadimplente, mesmo que não haja um programa do governo como houve agora.
O que explica a previsão dos bancos de piora da inadimplência após o Desenrola
O que explica a previsão dos bancos de piora da inadimplência após o Desenrola







