O chefe do departamento de estatística do Banco Central (BC), Fernando Rocha, disse, nesta quinta-feira (28), que parte do aumento da inadimplência de pessoas físicas em abril pode estar relacionada à expectativa de anúncio do novo programa de renegociação de dívidas Desenrola Brasil. Ele declarou que não espera, porém, que esse seja o principal motivo para a alta do indicador. Em abril, a taxa de inadimplência entre pessoas físicas subiu 0,1 ponto percentual, para 5,4%, em relação ao mês anterior. Ao considerar somente a inadimplência desse público no segmento de recursos livres, o indicador subiu de 7,0% em março para 7,2% em abril. O programa Desenrola Brasil foi lançado em 4 de maio, mas as notícias sobre os estudos da segunda fase do programa podem ter provocado um adiamento do pagamento de dívida para a obtenção de condições mais atrativas para os inadimplentes. Rocha afirmou que a espera por condições melhores de pagamento pode ter influenciado o comportamento do público inadimplente. "É possível a gente pensar nessa hipótese. Implicitamente, a gente está considerando (nas estatísticas) agentes racionais, com uma quantidade e qualidade muito boas de informação", disse. "Mas eu não diria que isso seja o principal fator por trás deste crescimento, ou dessa variação da inadimplência de março para abril", acrescentou. O governo Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Desenrola Brasil só atingiria os brasileiros com dívidas atrasadas que foram contratadas até 31 de janeiro. Segundo Rocha, o Desenrola Brasil deve beneficiar um milhão de clientes bancários, número bastante significativo. Fernando Rocha, chefe de estatística do BC — Foto: Divulgação
Parte da alta da inadimplência em abril pode estar relacionada à expectativa sobre Desenrola, diz BC
Notícias sobre os estudos da segunda fase do programa podem ter provocado um adiamento do pagamento de dívida para a obtenção de condições mais atrativas para os inadimplentes












