O diretor de política monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou nesta terça-feira (19) que o novo Desenrola, que possibilita a renegociação de dívidas bancárias, é uma fonte de incerteza em relação aos impactos no cenário monetário. Lançado há duas semanas pelo governo federal, o programa possibilitará que negativados tenham seu nome limpo em troca de renegociar suas dívidas. Ao participar de um evento do Santander, Nilton David afirmou que, naturalmente, haverá uma maior tomada de crédito. "No momento em que começam a pagar [as dívidas], haverá menos recursos disponíveis [para gastar]. Então, se agirem racionalmente, haverá menos renda disponível. Existe a possibilidade de que eles simplesmente aproveitem essa chance, tenham o nome limpo, e ganhem mais crédito para gastar de novo", explicou o Nilton David. Ao fazer um retrospecto da economia nos últimos anos, mencionou que houve um maior acesso das famílias ao crédito, principalmente a partir de 2024, após reformas que foram realizadas no sistema financeiro pelo Banco Central. Isso, automaticamente, causou desafios para a condução da política monetária, quando o BC precisou levar a Selic a patamares restritivos. Durante o evento, David comentou também que política monetária está funcionando. Segundo ele, a economia brasileira não está operando acima do potencial como estava anteriormente. “A política monetária funciona até para aqueles que não acreditam nela”, disse. Segundo David, a condução da política monetária pelo BC estava sendo bem-sucedida até o início do conflito no Oriente Médio, quando houve um adicional de incerteza. "O mercado acreditava que tudo estava funcionando como planejado e a inflação estava sendo levada ao objetivo. Então, nós já estávamos traçando a inflação abaixo de 4%, nosso objetivo é 3%, e então começou o conflito", comentou o diretor. Até o conflito no Irã, disse o diretor, o cenário era um pouco mais previsível, já que a política monetária estava funcionando, quando foi possível interromper o ciclo de alta no meio do ano passado. Segundo a guerra, David ponderou que o Brasil pode estar mais preparado do que outros países para lidar com os impactos inflacionários, principalmente porque a política monetária já estava em nível contracionista antes do início do conflito. "Agora nós estamos fazendo avaliações sobre como esses preços que estão mudando podem realmente ser traduzidos para a inflação", afirmou. Ao continuar perseguindo seu mandato de levar a inflação à meta, o diretor disse que o BC não poderá tolerar aumento nos preços devido ao conflito no Oriente Médio. "É uma tarefa desafiadora, não estamos sozinhos nisso, o mundo inteiro enfrenta os mesmos desafios e acreditamos que estamos bem posicionados", respondeu o diretor durante o evento. Questionado sobre o papel do BC ao comunicar expectativas ao mercado, o diretor afirmou que a intenção é não causar volatilidade, mas ser transparente. "[A ideia é] comunicar o máximo que pudermos, no sentido de que, uma vez que sabemos algo, vamos comunicar para o mercado", respondeu. Nilton David, diretor de política monetária do BC — Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Impacto do novo Desenrola na política monetária ainda é incerto, diz diretor do BC
Nilton David também afirma que a economia brasileira não está operando acima do potencial como estava anteriormente













