Isso de lidar com palavras, suas histórias, esquinas e umbigos tem seu lado viciante.

Dia desses, eu estava vendo um filme iraniano. O Irã fala dezenas de idiomas, mas a língua da maioria da população é o fársi —ou persa—, um idioma indo-europeu, aparentado com o português, o russo, o grego, o inglês...

Eu não sei nada de persa. Mas fiquei vendo o filme e tentando pescar palavras soltas, entender os pronomes, os numerais, essas coisas. De repente a legenda usou a palavra "inimigo", e o meu ouvido registrou algo como "doshman". Aí pausei o filme.

Porque "inimigo", em romeno, se diz "dusman", escrito com uma cedilha embaixo do "s" —que serve para registrar o som que a gente grafa com "sh" quando se escrevem palavras persas em alfabeto latino.

Coincidência? Bom, o romeno é uma língua derivada do latim, como o português, portanto também é parente do persa (a separação entre esses dois ramos aconteceu milhares de anos antes de Roma surgir na história).