Marcada nos últimos anos pelo uso crescente das mídias digitais, a propaganda eleitoral já se limitou a uma lista de chamada no rádio e na televisão, como uma manobra da ditadura militar para frear a possibilidade de avanço da oposição.

A medida que impôs uma mordaça na divulgação dos candidatos ficou conhecida como Lei Falcão, promulgada há 50 anos por Ernesto Geisel e que entrou para a história política como um dos grandes marcos de restrição e censura na disputa eleitoral do país.

A regra que vigorou de 1º de julho de 1976 até a redemocratização destoa tanto do cenário recente de propagandas nas redes sociais com inteligência artificial como do horário eleitoral em rádio e TV de postulantes aos cargos eletivos, que no primeiro turno de 2026 está previsto para começar em 28 de agosto e ser exibido até 1 de outubro, a três dias antes da eleição.

Durante a ditadura, o controle do sistema político era fundamental para a sustentação do regime, e a Lei Falcão eliminava qualquer possibilidade de discussão, ataque ao governo e vantagem aos candidatos oposicionistas.

Pelas regras impostas, o horário eleitoral transmitido no rádio e televisão se resumia a uma lista de chamada com o nome, número, currículo e partido do candidato, ditados por um interlocutor, além de uma foto neutra do postulante. Sem discursos ou comentários, no máximo eram permitidas informações de locais para realização dos comícios.