O encontro está narrado na excelente biografia de João Guimarães Rosa escrita pelo jornalista Leonencio Nossa.

Em 1966, o escritor viajou a Nova York para participar do 34º Congresso Internacional do Pen Club, ao lado de Arthur Miller, Saul Bellow, Pablo Neruda, Mario Vargas Llosa. O poeta Haroldo de Campos estava lá, e Rosa resolveu conversar com ele sobre sua experiência com o Diabo:

"Quando me vem o texto, eu fico nu, rolo no chão, luto com o Demo de madrugada no meu escritório, e depois, naquele contexto, naquele impacto, eu escrevo".

Para Haroldo de Campos, o Demo de Guimarães Rosa —que aparece no "Grande Sertão: Veredas" com dezenas de nomes (o Arrenegado, o Cramulhão, o Coisa-Ruim, o Pé-Preto, o Coxo)— não era uma simples metáfora da personificação do mal, mas uma figura que estava presente no processo de criação do autor.

Na cena em que o jagunço Riobaldo se dirige a um lugar ermo de nome assombrado, Veredas-Mortas, com a intenção de vender sua alma, não fica claro para o leitor se ele aceita o pacto. Na redemunho do personagem, o Diabo "vive dentro do homem", é o "homem arruinado", o "homem dos avessos". Portanto, é legítimo material de inspiração artística —que mal haverá nisso?