Armadores de cabotagem, terminais portuários e empresas que representam empresas do segmento questionam a diferença de investimento do governo federal entre os setores hidroviário e rodoviário no acesso a Manaus.
Mesmo com a previsão de seca e mudança climática provocada pelo chamado Super El Niño, o poder público assinou contrato de R$ 123,6 milhões para dragagem de manutenção do rio Madeira, a principal hidrovia logística amazônica. Também estruturou uma PPP (parceria público-privada) de R$ 9,7 bilhões para a BR-319, rodovia federal de 885,9 km que liga Manaus e Porto Velho-RO.
"Com o Super El Niño que está por vir, essa situação ficará extremamente crítica. O planejamento e o orçamento federal precisam estar atentos a essa realidade. Está mais do que comprovado que o meio hidroviário é mais sustentável e mais econômico em grandes distâncias, mas ele exige recursos regulares em dragagem e manutenção", afirma Jesualdo Silva, presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP).
O NOAA (agência científica e reguladora do governo dos Estados Unidos) mostra probabilidade de 96% de que o El Niño se mantenha entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, com impactos que podem se estender até o segundo semestre do próximo ano. Isso poderia provocar secas severas na Amazônia e queda no nível dos rios que apoiam o abastecimento de Manaus.








